Uma bela equipe – “Donas da Bola” - NoSet
Review

Uma bela equipe – “Donas da Bola”

Alguns esportes são tradicionalmente relacionados aos homens, o futebol é o principal entre eles. Isso fez gerações pensarem que mulheres nunca poderiam ser capazes de jogar, mas a realidade tem sido diferente.

A ficção tem ajudado a falar sobre isso, é o caso do filme francês “Donas da Bola” (Une Belle Équipe), do diretor Mohamed Hamidi, quem também assina o roteiro, ao lado de Alain-Michel Blanc e Camille Fontaine.

O longo estreou na França em janeiro desse ano, mas chegará ao Brasil graças ao Festival Varilux de filme francês de 2020, que ocorrerá entre os dias 19 de novembro e 03 dezembro.

A equipe do NoSet teve acesso exclusivo antes do festival e à coletiva de empresa com o diretor Mohamed Hamid.

Vamos conhecer a história?

Na pequena cidade de Clourrières, norte da França, tem uma equipe de futebol amador que faz parte da sua história, o SPAC, mas que anda passando por dificuldades. Atualmente o clube é gerido pelo excêntrico Jean-Michel, tendo como treinador Marco, que é auxiliado pelo pai (e membro mais antigo do clube), que é chamado de Papy por todos, e a ajuda da tesoureira Stéphanie.

O time em si não tem se saído bem, não conseguindo nem completar os 11 jogadores, eles estão jogando o campeonato só com 10, entre eles Frank, Christian e Mimil. Em uma partida os ânimos se exaltaram em campo e todos eles partiram para a agressão, sobrando até para Marco.

A Federação de Futebol decidiu que Marco, como treinador, não teve culpa alguma, por isso não precisaria de nenhuma punição, mas os jogadores sim, eles estavam suspensos até o final do campeonato. O problema é que o SPAC já estava na subdivisão e, como estavam sem jogadores, não jogar as próximas partidas significaria o fim do clube.

A solução seria usar um time mais novo (tipo um sub20), mas o SPAC não tinha opção, logo parecia que estavam fadados ao fim mesmo. Uma sugestão foi dada por Léa, filha de Marco e que sempre acompanha o time, montar uma equipe feminina.

Marco não aceita de primeiro, mas Papy endossa e isso encoraja o treinador levar a sugestão para a reunião da equipe. Nenhum dos jogadores suspensos achou que isso funcionaria, muito menos Jean-Michel, que futebol não é algo para as mulheres, elas não jogariam tão bem quanto os homens para montar uma equipe.

As mulheres (esposas dos jogadores), por outro lado, acharam isso sensato, algumas já até jogaram quando eram mais novas, como Stéphane. Mesmo com a resistência dos maridos, as esposas aceitaram o desafio e Marco buscou mais mulheres que gostariam de jogar no time. Ele conseguiu reunir um time completo, com direito até a uma ou duas jogadoras reservas.

A partir daí elas passaram a treinar todas as horas que podiam, dedicaram-se ao máximo para conseguir jogarem bem as 03 partidas que faltavam para o campeonato. A primeira foi uma negação, elas perderam de 0 a 9, o que fomentou o argumento de quem era contra o time feminino.

Entre esses que eram contra dois eram jogadores e maridos das novas jogadoras, como Frank (marido de Stéphane), e o outro era Jean-Michel, que estava revoltado porque a esposa também havia entrado no time. Eles dificultaram a vida delas o quanto puderam, desde reclamarem de tarefas domésticas, que agora eram obrigados a fazer, até mesmo impedir de elas treinarem.

Elas ganharam uma ajuda no meio do caminho, Sandra, que havia jogado por muito tempo e teria entrado na seleção francesa se num tivesse sido presa, agora ela está cumprindo pena em liberdade e lutando pela guarda da filha. Ela entra no time para diminuir a pena (serviço comunitário).

Esse time que misturava essa diversidade de mulheres, com realidades tão diferentes uma da outra, criaram uma sintonia que só poderia construir algo muito positivo. Elas não se tornaram as melhores jogadoras do mundo, nem mesmo o campeonato, mas conseguiram melhorar muito dentro de um curto período de tempo, conseguindo até um empate final, um gol que significou muito mais que um ponto, mas uma comprovação de que era possível pensar diferente.

O filme é uma comédia com pontos de drama, uma história muito bem contada e que ficou completa dentro da 1h35, mas que facilmente poderia se desenvolver mais e não ficaria cansativo, porque é possível ver caminhos para histórias paralelas dentro da trama.

Por exemplo, a relação de Marco com Léa, sabe-se que há alguns problemas de pai e filha, mas não se fala exatamente o que, só que eles têm mudado para o bem (aceitar a ideia dela foi um excelente começo). Outro exemplo é o caso de Sandra, não se é falada a razão de ela ter chegado a cadeia.

O aspecto que recebe destaque é a inversão de papeis domésticos, representada pelo casal Frank e Stéphane. Quando Frank estava jogando, Stéphane era quem cuidava da casa e dos filhos, equilibrando com o cargo administrativo no SPAC, agora ele teve que cuidar dos filhos e da casa enquanto ela treinava e jogava. Ele simplesmente se desespera, não sabe sequer dar um antitérmico para o filho gripado.

Embora as cenas sejam engraçadas, sabe-se que isso acontece sempre que as mulheres ganham mais destaque em suas carreiras e precisam se ausentar de casa por mais horas ao dia.

Na coletiva de imprensa o diretor, Mohamed Hamidi, comentou que se inspirou muito no humor britânico para o roteiro de “Donas da Bola”, o que realmente dá para perceber em alguns detalhes, mas o jeito francês de humor é predominante.

Obs.: Não consigo explicar a diferença, são detalhes sutis.

Sobre o elenco, ele falou com que entre as atrizes que formam o time haviam algumas jogadoras amadoras, que ajudaram a encenar as partidas de futebol, além de ensinar o básico para as atrizes. Outro detalhe interessante é que algumas dessas atrizes não só fizeram amizade entre si, mantendo contato depois das gravações, como até hoje estão jogando futebol.

Ele ainda falou que admira o futebol feminino, as partidas femininas são mais prazerosas de assistir, é possível ver dedicação ao jogo em si. Isso me fez lembrar do meu pai, que prefere assistir jogo da seleção feminina brasileira do que a masculina e sempre elogia a qualidade das partidas, com menos encenação que as masculinas.

O elenco é formado por: Kad Merad, Alban Ivanov, Céline Sallette, Sabrina Ouazani, Laure Calamy, Guilaume Gouix, Myra Tyliann, Manika Auxire, Marion Mezadorian, André Wilms, Régis Van Houtte, dentre outros.

Até mais!

DONAS DA BOLA (UNE BELLE EQUIPE)

De Mohamed Hamidi

Com Kad Merad, Alban Ivanov, Céline Sallette

2020 – Comédia – 1h35

Distribuição no Brasil: Bonfilm

Sinopse:​ Após se envolver numa briga, a equipe inteira de futebol da pequena cidade de Clourrières é suspensa até o fim da temporada. Com o objetivo de salvar esse pequeno clube do norte da França, que corre o risco de desaparecer, o técnico decide formar um time composto exclusivamente de mulheres para chegar ao fim do campeonato. Essa situação acabará por transformar completamente o cotidiano das famílias, abalando as convenções há muito estabelecidas naquela pequena aldeia.

Programação completa: http://variluxcinefrances.com/2020

Topo