Há segredos mais profundos que o oceano – “Alto Mar” - NoSet
Review

Há segredos mais profundos que o oceano – “Alto Mar”

Grandes histórias de mistério e investigação tem um charme e chamam atenção há muito tempo, desde os geniais plot twister’s de Agata Christie. Agora conheçam uma história não tão misteriosa, mas igualmente charmosa e, literalmente, em alto mar.

A série original da Netflix Espanha e de realização da Bambú Producciones (uma das maiores do país), “Alto Mar”, conta com três temporadas, duas de 2019 e uma lançada recentemente, em junho de 2020.

A história se foca nas irmãs Villanueva, Eva e Carolina, e o navio Bárbara de Braganza.

Nas duas primeiras temporadas é mostrada a viagem delas da Espanha para o Brasil, cheia de reviravolta. Elas tinham perdido o pai há pouco tempo, iriam se encontrar com o tio, Pedro, e a mais velha, Carolina, se casaria em alto mar com o dono da frota dos navios, Fernando.

Nesse meio tempo elas desvendam partes desconhecidas dos negócios do pai, do tio e de Fernando. A viagem do início ao fim contou com mortes e desaparecimentos, fazendo com que a irmã mais nova (e curiosa), Eva, quisesse investigar por conta própria.

A curiosidade de Eva é explicada pelo dom dela de escrever e é justamente isso que ela deveria estar fazendo na viagem, porque ela tem um prazo para entregar seu livro a editora para ser lançado. Mas os mistérios a chamam, mesmo que isso signifique por em risco a sua vida.

Nesse primeiro momento há também passagens “sobrenaturais”, com mensagens do além, e alguns romances que embalam as histórias secundárias, como Clara (a cantora do cruzeiro) e Pierre (Segundo-Imediato), assombrados pelo marido de Natália (irmã de Fernando), Verônica e Dimas (idas e vindas complexas) e o amor impossível entre Eva e Nicolás (Primeiro Imediato).

Resumindo, a história de Eva e Nicolás é o seguinte: ele a ajuda em toda investigação, tanto porque sente a responsabilidade em nome do Capitão quanto porque se sente atraído por ela, mas ele é casado. A esposa dele, Chantal, está desaparecida desde a guerra (2ª Guerra Mundial), dada como morta. Mas eles descobrem que ela está viva, por isso o romance se torna impossível.

Os segredos familiares servem como mola propulsora dessas duas temporadas, que se resolvem ao chegarem no porto do Rio de Janeiro, ainda deixando o caminho aberto para outras tramas, especialmente para Eva.

A terceira temporada se passa com outra viagem, não de volta, porque elas já haviam definido que viveriam na Espanha, mas para o México. Dessa vez Eva já tinha lançado um livro, agora estava a caminho de uma turnê de divulgação e Carolina estava ao lado de Fernando, porque ela havia se tornado sócia da frota com o marido e a cunhada.

O tio, Pedro, também vai na viagem e tem o prazer de ter como companhia uma velha amiga, Carmem. Ela diz está levando a filha, Diana, para passar por um procedimento médico e precisava que Dr. Ayala a acompanhasse. Aparentemente Diana havia sido vítima de queimaduras e sequer falava.

Enquanto isso Eva tinha dois pensamentos na cabeça: 1º – Será que Nicolás estaria mesmo com Chantal e no navio?; 2º – Onde está o vírus?

Não o coronavírus, a série se passa na década de 1940. Era um vírus criado por cientista procurado pela inteligência inglesa, que enviou dois agentes especiais, Fábio e Steven, para localizar o vírus e o seu criador. Eles contactam Eva e pedem ajuda a ela.

A missão seria fácil, eles resolveriam tudo antes de o navio sair do porto de Buenos Aires (onde eles estão), mas nada é tão simples no Bárbara de Braganza.

Primeiro algo estranho acontece me outro navio da frota, fazendo com que Nicolás precise tomar o posto de capitão lá, deixando o Capitão “sozinho” (eles são como pai e filho). Depois a história de Diana e Dr. Ayala é mais do que aparenta ser.

Na verdade, ele é um homem perigoso por trás do tal vírus, capaz de passar por cima de quem quer que seja para conseguir. O que ele fez? Pagou Diana para se passar por Carolina (cirurgia plástica e tudo mais) e eles fazem a troca na primeira oportunidade.

Isso faz com que os planos de Fábio e Eva não deem tão certo, porque ela confia na irmã, mas aquela não é bem a irmã dela, é a informante do outro lado das buscas.

De toda forma, as pistas sobre o vírus nunca dão em nada, aumentando o risco de o criador o espalhar dentro do navio. É um vírus altamente letal e contagioso, fazendo com o próprio navio se torne uma ameaça para o porto mais próximo, caso o pior acontecesse.

Assistir uma produção em espanhol ainda é muito estranho para mim, são poucas as que eu realmente gostei, essa foi a segunda. A primeira foi “Velvet Colección”, também da Bambú Producciones e que compartilha alguns atores.

Outro ponto que compartilham é a excelente fotografia e figurino, para quem gosta de moda elas são incríveis. E esse foi um ponto que chamou atenção em um primeiro momento em “Alto Mar”, só depois comecei a me apegar a trama em si, que também me pareceu bem contada.

A forma que apresentei a série representa a minha impressão geral, na minha cabeça há realmente uma ligação mais forte entre a primeira e segunda temporadas, deixando a terceira mais afastada. Dá para entrar no clima, é tão bem produzida quanto as outras, mas tem esse deslocamento da história inicial.

Não sei se é a intenção dos criadores, mas parece que eles querem fazer histórias diferentes a cada duas temporadas, porque o final da terceira não é chegando ao ponto final da viagem, como aconteceu na primeira temporada.

A rota da primeira viagem do Bárbara Braganza era Madrid-Rio, a primeira temporada terminou em alto mar, eles só chegaram no Brasil no final da segunda temporada. A da segunda viagem é Argentina-México, passando pelo Brasil (porto de Recife), mas a terceira temporada termina longe até mesmo de Recife.

Apesar disso, as histórias estão bem costuradas, logo, mesmo que a série não seja renovada, não haverá aquela sensação de história cortada pela metade. Tem alguns detalhes que podem receber destaque sem ficar cansativo, como o relacionamento de Eva com Fábio (já que com Nicolás é realmente impossível).

Mas, se eu fosse Eva, nunca mais pisaria em um navio de novo, ela só arranja confusão para ela, é melhor ela ficar em terra firme.

O elenco quase todo é levemente desconhecido do público em geral, mas tem alguns rostos conhecidos.

Vou começar falando daqueles que eu já conhecia antes de conhecer “Alto Mar”, os que repetiram a parceria com a produtora. São eles Ignacio Montes e José Sacristán.

Sacristán vive o tio Pedro e ele sabe ser um tio aconselhador (apesar dos pesares), tendo vivido o saudoso tio Emílio Lópes em “Velvet” e “Velvet Colección”. Ignacio Montes aparece apenas em “Velvet Colección”, como confuso, apaixonado e divertido Manolito Infantes, personalidade semelhante a Dimas Gómez.

Tanto Manolito quanto Dimas são aqueles personagens que cativam o público pelo alívio cômico e pela simpatia, é o secundário que a gente sempre torce para se dar bem. Ah, para quem, como eu, não domina o espanhol, é preciso assistir com a atenção as cenas com Ignacio Montes, ele fala muito rápido (não sei se é a intenção do personagem ou se é o ator).

Antes de continuar falando sobre o elenco, embora sejam três produções da Bambú, “Velvet” e “Velvet Colección” têm propostas diferentes de “Alto Mar”, enquanto esta última tem todas as características de série mesmo, aos moldes do que encontramos em catálogos de stream, as outras duas parecem mais com novelas.

Eva Villanueva é vivida por Ivana Baquero, que me enganou com a carinha de anjo, ela já estrelou muitos filmes de terror/suspense, como “Romasanta, a Casa da Besta” e “Possuída”. Talvez o título que tenha dado a ela fama internacional foi “O Labirinto do Fauno”, mas também esteve na série “As Crônicas de Shannara”. Ainda bem que a conheci como Eva, aparentemente não iria conseguir assistir os filmes com ela e perderia a oportunidade de a ver atuando (recomendo).

Carolina Villanueva é interpretada por Alejandra Onieva e, diferente da irmã da ficção, ela tem poucos títulos conhecidos, sendo “Alto Mar” o primeiro de reconhecimento internacional. Comecei assistindo a série dando pouco crédito a ela, mas terceira temporada veio para calar minha boca.

Como citei anteriormente, nessa temporada há uma personagem que se passa por Carolina, Diana. As duas são vividas por Alejandra, a caracterização é exatamente a mesma, mas ela consegue mostrar só com olhar quando é Carolina e quando é Diana. Ganhou meu respeito e admiração.

Nicolás Vázquez, o primeiro-imediato que ajuda Eva em suas investigações e se apaixona por ela, é vivido por Jon Kortajerena. Ele estrelou muitos curtas de moda e vídeo clipes, especialmente para Madonna e Fergie, mas também aparece em produções como “Direito do Amar”, “Andron: Labirinto Negro”, “Quantico” (série) e, mais recentemente, “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars”.

Embora tenha muitos outros nomes interessantes no elenco, preciso dar atenção a alguém que eu amei ver e estava em foco na trama da terceira temporada, o brasileiro Marco Pigossi.

Eu sou fã desse moço desde a época que ele falava “tô rosa chiclete”, na novela “Caras & Bocas” e dá um certo orgulho ver que ele está conseguindo destaque lá fora também, seja em produções de língua inglesa, como “Tidelands” (ainda não assisti), seja em “Alto Mar”, onde ele dar vida a Fábio.

Entrar em um elenco que já ganhou o público e ser o terceiro ponto de um triângulo amoroso, mesmo que não muito definido, não é fácil, mas Fábio é justamente o que a trama precisava. Um espião com cara de bom moço, assombrado com um trabalho que pode colocar inúmeras vidas em risco, perdendo o parceiro e possivelmente se apaixonado por quem não deveria se apaixonar.

O Brasil está em “Alta Mar” de diversas formas, mas ter um brasileiro tão competente estrelando uma das temporadas é a mais especial.

Até mais!

Topo