Fé na Cura - “O Que de Verdade Importa” - NoSet
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Fé na Cura – “O Que de Verdade Importa”

Aposto que a maioria das pessoas sonha com uma cura simples para qualquer doença, algo indolor e sem custas, que fizesse todas mazelas desaparecerem. No filme “O Que de Verdade Importa” isso existe e na verdade é uma pessoa, o Curador (em inglês Healer, o que faz mais sentido).

Alec Bailey era alguém que passou a não ligar muito para as coisas, namorador incurável e sem muito perspectiva de vida. Era engenheiro elétrico por formação e tinha um negócio, “The Healer”, onde ele concertava equipamentos eletrônicos, ele dizia que tinha o dom de os curar.

Com dívidas até onde poderia imaginar, Alec foi chamado no banco, seu gerente falou que seu tio queria se responsabilizar por seus dívidas, o que causou estranheza nele, afinal toda a família (mãe, pai e irmão gêmeo) que ele conhecia já havia falecido. Ele foi conhecer o tal tio, Raymond Heacock, ele explicou era irmão da mãe de Alec e que iria sim quitar as dívidas do sobrinho, mas tinha uma condição.

A condição era que Alec deveria sair da sua cidade, Londres, passar um ano inteiro em uma cidade pequena no Canadá, onde ele tinha uma casa há muitos anos. Lá ele aprenderia o valor do trabalho e poderia dar um rumo a sua vida.

Na verdade essa era a única saída de Alec, “The Healer” foi fechado pelo banco e agiotas o perseguiam dia e noite. E assim ele foi para Nova Escóssia, em Halifax, Canadá. E não, as coisas não foram fáceis.

Chegando lá ele conhece Cecília, veterinária da região e conhecida do tio. Ela mostra a cidade a ele, avisa que, se ele quiser trabalhar concertando os eletrônicos por lá, ela poderia falar com o editor do jornal local para divulgar. Lógico que ele quis se nomear “The Healer”, como fazia em Londres, mas o anúncio sai errado, dizia que ele curava pessoas.

Ele percebeu o erro quando, no dia seguinte, encontra em sua sala quatro possíveis “pacientes”, tentou explicar o mal entendido e levou um esporro por tentar enganar as pessoas assim. E mais e mais pessoas procuravam por ele para serem curadas.

Mais uma coisa estranha: os animais estavam enlouquecidos por ele, seguia-no por todo lado.

Lógico que tinha algo a mais por lá, não era só um anúncio errado. Então seu tio aparece e conta a história da família, Curadores de verdade, pulando gerações. Ele havia visto o pai ser Curador e sabia que seus filhos ou seus sobrinhos seria o próximo escolhido, e a cidade toda sabia. Mas o dom não é automático, ele teria que aceita-lo depois que ele começasse a se manifestar.

Antes de descobrir tudo ele já havia curado algumas pessoas e isso o fez ser uma estrela e um bandido procurado. O padre da cidade teve um ataque cardíaco e, só por estar com Alec, ele ressuscitou, não antes do moço ter tentado levar o corpo para a igreja e ter feito quase uma cena de crime (até preso foi).

Bom, Alec não aceita e todos entendem. Ele foi avisado que não poderia ter o dom de volta e naquela noite ele estava bem com aquilo. Na manha seguinte aparece um casal vindo de uma cidade há 07h dali pedindo para que ele curasse a filha deles, que tinha câncer terminal, com apenas 14 anos. Ele conta a história e o casal saí chateado, mas mais tarde a menina, Abgail o encontra, diz que não acredita na história do Curador, mas que quer fazer os pais felizes, quase o obriga a passar o final de semana com ele para dar viagem perdida.

Alec aceita e a leva para ver Cecília trabalhando com os animais da fazendo, ela se diverte e conta a sua história, parecia alguém que estava em paz com o destino, já havia passado por muita coisa. Então, o muro que afastava Alec dos sentimentos ruiu ele lembrou do irmão, Chalie, que havia morrido há dois anos, também de câncer. Isso o fez querer seu dom de volta, ele salvou o irmão, mas poderia salvar Abgail.

Mas o tio havia avisado que isso era impossível. Ele passou mais um dia com Abgail e algo mais estranho para ele aconteceu, ele entrou na Igreja querendo falar com Deus, pedir o tal dom de volta.

Depois da despedida de Abgail, Alec se revoltou contra o tio e Cecília (que também sabia da história toda), afastando-os de si. Alguns dias depois, com os nervos mais calmos, recebe a visita de Cecília, ela tinha uma carta de Abgail, nela só um número de telefone e eles deveriam ligar o mais rápido possível.

O impossível aconteceu, o câncer estava em remissão e ela estava praticamente curada. Só pelo fato de querer ser melhor fez de Alec alguém digno do dom, salvar vidas.

Não, isso não é uma comédia romântica típica nem um desses filmes que fala de religião exaustivamente. Esse é um filme sobre esperança e bom coração, sobre pessoas que dedicam seu tempo para tentarem curar as mazelas do mundo, nem que seja para retirar seu portador de uma rotina cansativa e o fazer feliz.

Esse é um filme dedicado a Paul Newman, que passou anos se dedicando a uma acampamento para crianças portadoras de câncer. Ele era o curador, não como Alec, por mágica ou dom, mas porque ele fazia crianças sem esperanças a simplesmente sorrirem, esquecer o sofrimento, nem que fosse por um final de semana.

Abgail era uma dessas crianças, mas infelizmente a da vida real não teve a remissão do câncer.

Ah, esse filme entrou para a seleta lista de obras que me fazem chorar só por isso!

No começo é realmente uma comédia romântica. Namorador sem jeito se muda para cidade pequena, encontra moça bonita e decente, ela o ajuda por lá, só um romance regado por um pouco de magia. Daí aparece Abgail, tão incrivelmente sincera e sem medo do que o destino a espera, fazendo Alec rever seus passos e crenças, uma visão da realidade em um momento oportuno.

O humor do filme é dos clichês que amo, cidadãos bem estranhos que se tornam legais, um padre que não acreditava mais em Deus e em milagres, um policial que se acha o dono do mundo e uma lanchonete onde todo mundo se encontra. Mas as lições estão ali, esse padre aí volta a ser o mais devoto dos homens e Alec aprende a se doar, consegue finalmente superar a morte do irmão e se conecta com a família, mesmo que só pelo dom.

No elenco temos:

Oliver Joackson-Cohen como Alec. Não conheço outros trabalhos deles, talvez ele se encaixe melhor no Alec do começo do filme, é lindo e tem aquele tipo galã. Embora tenha segurado a reviravolta, ainda achei que outro ator poderia ter sido mais natural. Mas não desiste por isso não, vale a pena ver.

Camila Luddington como Cecília. Ela é a famosa, Dra. Jo Wilson, de “Grey’s Anatomy”, não acompanho mais, mas o pouco que vejo posso dizer que foi o único personagem bom que sobrou. Ela consegue ser natural e quero a ver mais em comédias românticas, estou sentindo que ela é cria de Katherine Heigl para esse gênero.

Jonathan Pryce como Raymon Heacock. Os trabalhos mais famosos dele são possivelmente, os três primeiros filmes da Saga “Piratas do Caribe” e a série “Game Of Thrones”. Não vi nada de especial nele, porém ele é sim a imagem daqueles senhores que sempre dão bons conselhos em qualquer tipo de filme.

Jorge Garcia como o padre Malloy. Não lembra quem é ele? É o Hugo de “Lost”! Eu sempre verei Jorge Garcia como Hugo, embora já tenha o visto como o gigante em “Once Upon a Time” e saber que ele fez inúmeros outros personagens, com personalidades diferentes, mas foi um choque o ver como o padre. Quando o padre confessa que estava sem fé eu entendi a escolha dele, só ele para se perder e se encontrar de novo (não resisti a piada, perdoa).

Kaitlyn Bernard como Abgail. Ela já coleciona bons trabalhos, mas ainda pouco conhecidos, fez uma Abgail que tocou meu coração, queria eu ser tão madura quanto ela, embora eu saiba que a razão da maturidade dela não seja das melhores.

Eu sei, a resenha está enorme, mas preciso falar só mais uma coisinha.

Chorei vendo o filme não só porque ele é bem feito e aborda um tema emocionante, mas foi pelo vídeo mostrado no final. Ele vídeo é mostrando alguns vídeos de Paul Newman no acampamento, com uma narração que explicava o objetivo e fazia algumas colocações, ao fundo tinha uma música cantado pelo o que parecia um coral, ao prestar atenção na letra percebe-se que era uma homenagem das crianças para ele.

Sim, ele era um Curador!

Atualmente eu presto assistência judiciária para portadores de câncer, pessoas que precisam do mínimo, a medicação para seu tratamento. Já atuei em casos de crianças com câncer, conheço alguns casos tocantes. Esse vídeo me destruiu porque eu percebi que não precisa ir muito longe para conhecer os curadores, eu trabalho ao lado de alguns, conheço a luta diária deles para atender ao máximo de crianças e adultos nesta situação.

Aliás, vão além, dão atenção e afeto para pessoas que sabem o valor da vida, entre uma respiração e outra, entre uma consulta e uma dose de medicação, entre uma notícia ruim e uma menos pior.

Ser Curador é doar-se assim. Não sei se eu conseguirei ser uma Curadora, mas tenho a honra de os conhecer!

Beijinhos e até mais.

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