Entre Joias e Guerreiros – “Sonhos de Inverno” - NoSet
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Entre Joias e Guerreiros – “Sonhos de Inverno”

Alguém gosta de inverno? Inverno mesmo, desses que nevam (pergunta honesta de quem nunca viu neve)!

Então, o inverno era a estação preferida de Cristal de “Sonhos de Inverno”, até seus 10 anos de idade. Por que os 10 anos de idade? Porque algo no mínimo sinistro aconteceu com ela.

Cristal e sua família viviam em Roma, Itália, e ela era a única neta dentre seus quatro primos (quase irmãos), além de ser a mais nova de todas. Quando criança eles se uniam na casa da avó deles durante o inverno, momento mágico para ela, fosse pelo chocolate quente da avó, pela sensação boa que sentia ou pela camaradagem com os primos.

Bom, aos 10 anos, entre uma brincadeira e outra, Cristal foi parar na Fontana de Trevi numa noite de inverno, deparou-se com um diamante vermelho em forma de coração e, ao colocar o cordão no pescoço, foi atingida por um raio, que a deixou em coma por alguns meses.

Esse episódio mudou a vida de Cristal, que passou a ter crises de ansiedade. A mãe dela decidiu se mudar com ela para Londres, onde ela poderia se afastar no local que havia causado o trauma. Por isso Cristal passou 08 anos sem ver a avó e os primos, que tanto amava.

Mas o tempo passa e visitas precisam ser feitas. A avó de Cristal estava com a saúde debilitada, então era o momento perfeito para fazer esse reencontro. Não foi nada fácil retornar à cidade que lhe trouxe tão doces lembranças de infância, mas uma amarga lembrança de meses sombrios.

Rever a família a fez bem, em especial a avó, com quem sentia uma ligação especial. Mas a avó tinha um presente para ela: o diamante vermelho em forma de coração! Ela falou para a neta que aquela joia fazia parte de sua vida e que ela tinha uma missão ligada a ele.

Cristal não conseguiu dormir e, como anos atrás, colocou o cordão em seu pescoço. Nesse momento ela foi transportada para outro mundo, que logo ela descobriria ser o quadro pintado que adornava o quarto em que estava hospedada.

Ela estava a caminho do Reino do Diamante, onde Rotieh era o guardião do diamante vermelho e líder de uma nação dominante. Aos olhos de Cristal aquilo tudo era como o antigo Império Romano e, cada vez mais, indignava-se com as injustiças que ocorriam ali.

Aquela nação era conhecida pelo diamante vermelho, mas há anos que eles não tinham mais essa joia, apenas diamantes comuns (que já era o suficiente para manter o poderio). Mas tinha uma lenda sobre os últimos diamantes vermelhos, que quando unidos trariam o “deus” deles, que tomava a forma de um dragão.

Por isso Rotieh sentiu-se na missão de proteger Cristal, ela havia visto que aquele diamante que ela carregava era verdadeiro e seria a resposta da lenda. Só que ele não planejou se apaixonar por ela!

Cristal estava presa num mundo que não condizia com suas ideologias, logo começou a desafiar algumas “autoridades”. Numa dessas ela foi levada a julgamento, do qual a punição seria a morte, mas, pela proteção de Rotieh, ela fora marcada para duelar com o mesmo guarda que havia desfiado antes.

Rotieh manteve Cristal no castelo e fez com que ela tivesse aulas de luta com Ernestina, treinadora dos guerreiros. Aos poucos Cristal viu que tinha mais força e coragem do que imaginava, não tinha mais os medos que a prendiam.

Poucos dias antes do duelo, na noite de um tradicional baile do reino, ela descobriu que Rotieh estava fazendo tudo aquilo por causa do diamante vermelho e, por isso, fugiu. Foi para na floresta, local mal falado por todos, diziam que tinham ladrões e assassinos… Os únicos assassinos que encontrou foram os pagos por um conselheiro para a matar e pegar o diamante de seu pescoço.

Na verdade, ela conheceu os guerreiros lakainos, liderados pelo silencioso e misterioso Rhoge, que passou a ser um bom amigo para Cristal, quem continuou o treinamento de Cristal para o duelo, do qual ela não desistira. Mas agora ela tinha outro objetivo: libertar os serventinos e fazer um contragolpe, uma vez que os conselheiros de Rotieh estavam conspirando contra ele (e ele só estava tentando proteger Cristal).

Bom, entre batalhas e declarações, Cristal não deixou que o temido “deus” dragão dos diamantinos voltasse a vida, porque seria uma tragédia para todos ali. Na verdade, ela destruiu o diamante dela logo depois que Rotieh (seriamente ferido da batalha) destruíra o dele.

Ela voltou ao seu mundo, decidiu voltar a viver em Roma, soube que dali por diante poderia enfrentar qualquer desafio da vida… Mas sentia falta de Rotieh! Poucos meses depois ela encontrou um jovem, na Fontana de Trevi, alguém que parecia não a reconhecer, mas ela sabia que era ele, o amor de sua vida.

Sem dúvidas “Sonhos de Inverno” é um dos livros que mais me fizeram sonhar nos últimos meses! Toda a narração e descrição faz o leitor ser transportado para esse Roma e depois para o Reino de Diamante, dá quase para ver as ações acontecendo como se fosse um filme, tudo é encantador, mesmo as cenas tristes.

Os personagens são um espetáculo a parte de bem construídos. Quando li a descrição da relação de Cristal com os primos deu vontade de voltar a infância, senti o gosto de brincar queimado na área da minha avó (não é mesma coisa que Cristal fazia, mas né, Mossoró não neva, então vamos nos contentar com os jogos de antigamente).

E quando ela está no outro mundo, é como se estivesse lá. Senti a indignação dela, senti as eternas dúvidas e medos e, mais ainda, o empoderamento dela ao saber que ela era capaz de lutar. Imagine só, descobrir a força e a coragem que estava enterrado lá no fundo da alma?

Acho que podemos fazer isso sem uma espada ou um arco e flecha (como Cristal descobriu), mas foi incrível ver tudo isso acontecendo, diria inspirador até.

Amei ver a relação entre a Roma moderna com a Roma Antiga, o Império dominador. Tem um momento que Cristal fala sobre possíveis faculdades que deseja cursar e o curso de História estava na lista, então trazer para ela o que era o Império Romano foi a virada genial para que ela descobrisse qual era a missão dela.

Tudo que se relaciona com história é impecável… Conheça seu passado para entender seu presente e melhorar seu futuro!

Além do Império Romano, a trama tem alguns elementos que se assemelha a duas franquias: “Nárnia” e “Crepúsculo”. Só de ter se transportado para outro mundo já dá para entender a relação com “Nárnia”, em especial o terceiro filme, quando Edmundo, Lucy e o primo vão para Nárnia pelo quadro, que retratava um navio em alto mar.

Já com “Crepúsculo” são elementos mais sutis. Rotieh sempre é descrito por Cristal como uma pessoa fria, por causa de suas responsabilidades e personalidade que teve que desenvolver, além do toque de sua mão ser gelado, o que lembra Edward. Enquanto Rhoge sempre foi relacionado pelo calor e pela ralação com lobos, porque o deus de seu povo era um lobo, lembrando muito Jacob.

Contudo, eles não chegam a brigar por Cristal no sentido romântico, Rhoge não confia em Rotieh pela visão que tem dele, mas nunca teve interesse romântico por Cristal, era proteção de amigo.

Tenho uma mania, ficar imaginando quem viveria esses personagens caso o livro se torne filme. Confesso, não conseguiu imaginar nenhuma atriz para ser Cristal, mas consegui visualizar Dominic Cooper (eterno Howard Stark e Sky de “Mamma Mia”) como Rhoge e Thiago Lacerda como Rotieh.

Ok, Thiago Lacerda foi só porque lembrei de um personagem dele que tinha uma personalidade parecida, mas depois vi que era loucura e comecei a pensar em outro ator. Cheguei a conclusão que o perfeito Rotieh seria interpretado por Josh Dylan, conhecido por “Mama Mia! Here We Go Again”.

De toda forma, o livro é tão bem escrito que ele consegue concluir toda a história, o epílogo consegue dar o ponto final esperado. Caso tenha um segundo livro eu exploraria a primeira ida de Cristal ao Reino de Diamante (quando ela tinha 10 anos, ela estava em coma no “nosso” mundo, mas estava lá) ou com a visita da avó dela nesse reino, porque na conversa dela fica subentendido que ela teve uma missão semelhante.

Só para finalizar, preciso exaltar o fato da escritora. Monalisa Silvério, ser tão jovem e, mais ainda, advogada. Mais e mais vejo que nossa profissão nos faz muito mais sensíveis do que a sociedade imagina.

Obrigada pela obra-prima, Monalisa!

 

Beijinhos e até mais.

 

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