Crítica | ‘SONIC – O Filme’ - NoSet
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Crítica | ‘SONIC – O Filme’

Existia uma época no mundo dos videogames em que dois personagens travavam uma verdadeira e divertida rivalidade no meio. Mais ou menos no início dos anos 1990, as duas grandes empresas de jogos eletrônicos, Nintendo com o simpático encanador bigodudo Mario e a Sega com o ouriço azul Sonic. Mario surgiu antes, em 1985, o clássico Super Mario Bross era lançado encantando gerações por décadas e cravando o personagem como símbolo da empresa Nintendo. A Sega em 1991 precisava de uma mascote e criou o também clássico Sonic the Hedgehog, apresentando ao mundo o ouriço azul com poderes sobre-humanos e uma velocidade absurda. Sonic logo também virou uma febre gerando fãs do mundo todo. Na época muita gente se dividia entre os fãs de Mario e os fãs de Sonic em uma disputa de seguidores cada um com sua empresa favorita.

Ambos estrelaram muitos jogos, criando uma franquia extensa de games, animações e produtos se tornado ícones da história do videogame. É claro que o cinema não deixou passar esses personagens em vão. Obviamente que devido às circunstâncias de escassa tecnologia cinematográfica da época, ficava difícil transpor o Sonic paras as telonas. Menos sorte teve o Mario, que em 1993 estrelou um dos maiores abacaxis da história do cinema: Super Mario Bros(idem). O filme contava com grandes atores como Dennis Hooper e Bob Hoskins, na pele do Mario, mas era completamente insano e esquecível ao ponto de Bob Hoskins afirmar que foi o pior trabalho da sua vida. Mas algumas décadas passaram e aproveitando a tecnologia dos anos 2020, finalmente chega às telas a live action Sonic o Filme (Sonic the Hedgehog) dirigida por Jeff Fowler.

Sonic é um ouriço azul dotado de grande poder de velocidade, que graças a portais que se abrem em forma de argolas acaba se fixando na Terra, mais precisamente na cidade de Green Hills, Montana. Lá ele tem uma vida normal, vive numa caverna com todo o conforto que ele pode querer, mas vive uma vida solitária já que se esconde dos humanos. Seu único contato mais próximo é com a família Wachowski que ele observa de perto, mas não mantem contato. Um dia Sonic em uma corrida desenfreada provoca uma reação na energia da região deixando a cidade e região às escuras. O governo americano então desconfia de algo perigoso e não humano como responsável pelo incidente e recruta o genial e insano Doutor Robotnik para capturar a criatura. Nisso Sonic não tem alternativas a não ser pedir ajuda ao xerife Tom Wachowski e partir junto com ele para São Francisco em busca de seus anéis mágicos para fugir das garras de Robotnik.

Sonic já começou fazendo um barulho muito antes de sua estreia: no seu primeiro trailer lançado em meados de 2019 a aparência pouco simpática da criatura provocou uma enxurrada de críticas pela internet e ameaças de boicotes ao filme se nada fosse feito. Enfim a Sega e a Paramount resolveram limar o primeiro protótipo de Sonic e corrigiram o erro dando um aspecto mais parecido com o ouriço original e acabando com a polêmica. Berreiro resolvido, Sonic o Filme, enfim estreou. E falando do filme, a direção de Jeff Fowler é muito bem acertada e eficiente. Somos apresentados a um Sonic muito bem humorado e verossímil com o clássico vídeogame. Efeitos especiais brilhantes e um casamento perfeito entre animação e os atores reais.

Aliás o roteiro é bem redondinho e eficaz. Acerta em dar uma origem ao Sonic, explorando os portais dos anéis e inserindo muito bem o ouriço na Terra e sua relação com uma família humana. Não faltam belas tiradas, drones sendo explodidos, corridas alucinantes, perseguições e tudo conduzido com muito bom humor. Impagáveis as cena de Sonic correndo com uma tartaruga na mão ao som de Don t Stop me Now do Queen, dando a ela uma ‘‘adrenalina’’ que essa nunca teve e a briga com motocicletas que ele e Tom tem em um bar de estrada.

O time de humanos da película também está muito bem com destaque para James Marsden como o sonhador policial que não vê a hora de sair da cidade pequena e ir a São  Francisco e que casa muito bem como dupla com Sonic (que tem a voz dublada e os movimentos faciais captados pelo ator Bem Schwartz) . Jim Carrey está de volta quatro anos afastado das telas como o insano Doutor Robotnik. Jim Carrey é sempre Jim, consegue com seus trejeitos únicos criar um hilário personagem com sua marca pessoal. Se não é uma atuação genial, é um deleite ver de novo o seu talento em prol da comédia dando vida a mais um bom personagem a sua carreira. Aliás o embate entre Sonic e o Robotnik é muito bem explorado no filme, fazendo aquele contraponto de Sonic e sua energia explosiva de defesa contra as maravilhas tecnológicas do Doutor que não deixam em paz o ouriço.

O que posso concluir com a estreia do ouriço azul no cinema? Digna,divertida, muito bem realizada, despretensiosa as vezes, com um roteiro caprichado, atuações corretas do núcleo humano, muito bem humorada e que conseguiu criar um simpático personagem que tem tudo para seguir numa franquia de sucesso.  Basta esperarmos se a velocidade das cifras aumentado nas bilheterias forem parecidas com as passadas velozes do personagem e que acredito, tem tudo para serem!

Duração: 1h 40min

Direção: Jeff Fowler

Elenco: James Marsden, Tika Sumpter, Jim Carrey

Sinopse: Sonic, o porco-espinho azul mais famoso do mundo, se junta com os seus amigos para derrotar o terrível Doutor Eggman, um cientista louco que planeja dominar o mundo, e o Doutor Robotnik, responsável por aprisionar animais inocentes em robôs. A sinopse oficial ainda não foi divulgada.

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