A Bela e a Fera: A Mesma História Diferente - NoSet
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A Bela e a Fera: A Mesma História Diferente

Um belo e vaidoso príncipe amaldiçoado a ser uma fera horrorosa até que aprenda a amar apesar da aparência. Uma moça que não se encaixa na sociedade de sua vila por ter um comportamento além do seu tempo. Ela entra na vida dele e quebra sua maldição.

Apesar de todas as versões de “A Bela e a Fera”, esse é o ponto principal da história, aprender a valorizar as coisas certas. Antes de falar sobre o novo filme, que para mim, já é um clássico, preciso falar algumas coisinhas.

Primeiro, as novas versões de clássicos de princesas da Disney se focam no empoderamento feminino, ou seja, mostram mulheres fortes, que se distanciam um pouco da figura da mocinha. Bela sempre foi assim, desde a versão original. Ela vive em uma vila francesa do século XVIII, momento em que Napoleão Bonaparte aterrorizava a Europa com suas guerras (referência feita através de Gaston) e em que o acesso à educação era raro, somente os aristocratas tinham educação, a população “normal” não, em especial as mulheres, que só poderiam casar, ter filhos e cuidar da casa, nunca poderiam ler ou pensar, como Bela faz.

Sei que para a gente, que temos isso de forma natural, temos acesso à educação (embora ainda precária em algumas situações), à leitura e podemos exercer funções que seriam masculinas, fruto de uma luta de anos, que ainda está longe de terminar, isso não é ser pioneira ou guerreira.

Mas imagina como é ser a “diferentona” numa vila em que a mulher não poderia ler e nem pensar? Isso é sim é uma forma de lutar, de poder se colocar na sociedade! Como é até dito no filme, mesmo que de forma pejorativa, o livro faz as pessoas terem ideias, uma mulher tendo ideias nessa época era abominável.

A outra coisa, são as diversas versões sobre essa história.

O conto original foi escrito em 1740 por Gabrielle-Suzanne Barbot, a Dama de Villeneuve, mas ganhou uma versão mai famosa em 1756, de Jeanne Marie LePrince de Beaumont.

Na história de Beaumont, Bela é filha mais nova de um falido mercador, diferente de suas irmãs, ela era humilde e se preocupava de verdade com o pai. O pai se torna prisioneiro da fera porque rouba uma rosa do jardim da Fera, que exige a troca do prisioneiro pela filha que pediu a rosa, já pensando que ela poderia quebrar a maldição. Bela torna-se sua prisioneira, mas todas as noites ele a pede em casamento, sempre sendo recusado, até que ele desiste e a deixa ir visitar a família. Ela volta ao castelo quando tem um sonho em que ver a Fera morrendo, daí ela quebra a maldição.

Ah, a criadagem não se transforma em utensílios falantes!

Muitas foram as reproduções e adaptações dessa história, a mais fiel da original é um filme de 1987. Honestamente, assistido hoje, depois de ver as versões mais novas, é muito estranho, chega a ser bizarro ver a história dessa forma, mas é fiel à história de Beaumont. Foi a primeira versão musical, mas não é a trilha mais conhecida.

Em 1991 surgiu a versão que se tornou clássica, a animação da Disney com a música na voz de Céline Dion, com Lumière, Horloge (Cogsworth), Mrs. Potts (Mrs. Savour), Madame Garderobe, Chip (xícara falante), e outros utensílios falantes, além de Gaston e LeFou, que fazem parte da vila de Bela.

Nessa versão Maurice, o pai de Bela, é um inventor com fama de doido na vila, que torna-se prisioneiro da Fera por simplesmente invadir o castelo quando se perdeu na floresta, onde encontra inusitados objetos falantes. Bela era o alvo romântico de Gaston, um grosseiro com muita autoestima e fama de valentão, do tipo que faziam as garotas da cidade se derreterem. Bela se coloca no lugar do pai, a partir daí a vida no castelo muda, passando a ser a última esperança da maldição ser quebrada.

Em 2011 surgiu uma versão moderna, estilo filme de adolescente, em que a feiticeira é Mary-Katy Olsen. Em 2014 foi lançado uma versão francesa, não tenho informações suficientes para falar dele.

Na TV, a partir de 2011, uma outra versão surgiu na série “Once Upon a Time” (já falei dessa série por aqui). Por lá a Fera é Rumpelstiltskin, o Senhor das Trevas, e Bela é filha de alguém importante (confesso que não me lembro se ele é mercador, como na versão original, ou se é um aristocrata, quem souber pode colocar nos comentários). Mesmo com todas as licenças poéticas característica da série, Bela ainda é a amante de livros e obstinada, além disso, para o deleite dos fãs do clássico, eles reproduzem a cena cena com a música clássica da Disney, com direito ao vestido amarelo e ao fraque azul!

Se chorei ao ver a cena? Não vou confirmar, nem negar kkkkk!

Cena de Once Upon a Time

Finalmente falemos de 16 de março de 2017, o live-action em que a Bela é Emma Wattson. E os Potterhead vão à loucura! Essa versão faz completamente jus à animação, tem até alguns vídeos pelo Youtube que mostram a semelhança. Mas nem tudo é exatamente igual, ele pega referências da história original, quase que como uma homenagem.

Como na animação da Disney, no live-action, Maurice é um inventor, ele realmente se perde na floresta e encontra o castelo para se aquecer. Bela se coloca no lugar dele e acaba sendo mais uma hóspede do que uma prisioneira. Ela conquista a Fera com sua gentileza, ganha a biblioteca do castelo, dança com aquele vestido amarelo (dourado) com a música clássica da animação. Gaston é exatamente o mesmo da animação, com todo o ego possível.

Em resumo, o filme é mesmo a versão “com pessoas” da animação, perfeitamente executado.

Da história original ele pegou alguns pontos que só enfatizaram a história. Em primeiro lugar o mais importante para mim, a causa de Maurice ter se tornado um prisioneiro. Bela pede que o pai a traga um presente de sua viagem, uma rosa, que ele encontra no jardim da Fera quando tenta fugir do castelo (porque se assustou com Chip).

Isso é importante para mim, porque “conversa” com a maldição da Fera, já que o tempo da maldição é medida pela famosa rosa vermelha encantada, oferecida por uma velha que se transformou numa bela feiticeira.

Outra coisa fofa que fizeram para lembrar da história história foi o nome da vila, que é Villeneuve. Depois de assistir o live-action voltei a assistir a animação, para comparar, não sei se passou desapercebido por mim, mas acredito na animação o nome da vila não é citado.

Algumas outras coisas foram mudadas, pouca coisa foi realmente cortada, mas tiverem cenas que aconteceram em momentos e em cenários diferentes. Isso poderia se transformado numa bagunça, mas foi, na verdade ficou até mais lógico.

As cenas musicadas ficaram excelentes, ficaram tão perfeitas quanto a da animação. Minhas preferidas, sem dúvidas alguma, foi a do jantar, apresentado por Lumière (melhor personagem), e, logicamente, a da valsa deles, que ela usa o vestido amarelo e ele o fraque azul, simplesmente encantador.

Polêmica de LeFou: Sei que já dei muitos spoilers, mas esse eu preciso dar e falar sobre. LeFou é o braço direito bajulador de Gaston. Na animação tem algumas passagens que poderiam ser vistos como traços homossexuais do personagens, mas que  não foi explorado, até porque é um tabu em 2017, avaliem em 1991.

No live-action esses traços foram explorados de forma muito especial. LeFou continua sendo um bajulador, mas aparenta ter uma paixão secreta por seu amo, o que ficou mais evidente ainda na música especial para Gaston. Nas polêmicas feitas na internet diziam que LeFou iria protagonizar uma cena de beijo gay, seria o primeiro em filme da Disney, que isso seria algo que corromperia a mentalidade dos jovens e blá, blá, blá…..

Primeiro, eles não se beijam. Segundo: a participação dele não é nada ofensiva, mesmo que realmente tivesse tido o tal beijo!!!!!!!!! Tornou-se um elemento de humor que pode se tornar uma discussão saudável sobre o assunto. LeFou é interpretado Josh Gad, conhecido por filmes como “21” (2008), “Amor e Outras Drogas” (2010) e pela voz original do Olaf na animação “Frozen” (2013). Conhecia pouco do trabalho dele, mas agora eu o admiro, foi perfeito no personagem.

Ah, mais uma coisa, o outro homossexual que aparece, quem LeFou, supostamente, beijaria, não tem fala nenhuma, mas chamou minha atenção por uma coisa: sua semelhança com o babadeiro, dono das novidades mais quentes dos famosos brasileiros, Hugo Gloss!

Sério, jurei que Hugo Gloss tinha ido fazer esse uma ponta nesse filme em segredo.

Elenco: Já falei de LeFou, então falarei do resto do elenco principal, que é enorme, por isso já me desculpo pela extensão da matéria de hoje.

Bela é interpretada, por Emma Watson, a eterna Hermione de Harry Potter. Como vocês sabem, não sou afeta à saga do bruxinho, porém sempre a admirei pelos belos discursos sobre feminismo e por não se apoiar na fama para o futuro, buscou se formar em Literatura Inglesa na faculdade Brown, nos EUA, e hoje é professora da Oxford, na Inglaterra.

Fala sério, quem é que num queria ser aluna de Emma Watson?

Maurice, o pai de Bela, é interpretado por Kevin Kline. O personagem é engraçado por causa da quase loucura, foi algo surpreendente para mim, porque eu o “conheci” no filme “Ricki and The Flash” (2015), em que ele interpreta o série ex-marido da deusa Meryl Streep.

Gaston é Luke Evans, uma outra surpresa para mim, afinal todos os personagens que o vi interpretar (saga “Hobbit”, Aramis em “Os Três Mosqueteiros” e Zeus em “Immortals”) foram sérios ou românticos, que eu lembre, nenhum deles tem o ego tão inflado quanto Gaston. Falando da aparência, até parecia que a animação de 1991 foi feita com base em Luke Evans, ficou perfeito demais.

Uma personagem que só vi nessa versão e que precisa de atenção é Agata, que é uma mulher que vive na floresta, só vai à cidade pedir esmolas. Na verdade (spoiler alert) ela é a feiticeira que ofereceu a flor ao príncipe vaidoso e lançou a maldição. Ela fala pouquíssimas palavras durante todo o filme, mas é uma das personagens mais impactantes. É interpretada por Hattie Morahan, o único filme que a vi foi “Mr. Holmes” de 2015.

A Fera é Dan Stevens. Esse personagem demanda ainda mais, porque ele tem que transparecer a interpretação dele através do design gráfico da Fera, mas ficou maravilhoso. Essa é a Fera mais linda de todas as versões, toda a estrutura do corpo dele parece de um homem, mas com feições de um animal. Me fez lembrar muito de Hans, o protagonista daquele filme que indiquei há umas duas semanas, o “Morgenstern”. Um cara enorme, com uma aparência séria, mas que conseguem fazer derreter pelos motivos certos. Quanto a Dan Stevens, ele é conhecido pela série “Downton Abbey”, por filmes como “Uma Noite no Museu 3” (2014) e “The Cobbler” (2014). E sim, ele é lindo como o conto de “A Bela e a Fera” exige kkkk.

Agora a parte mais divertida, os criados transformados em utensílios falantes.

O primeiro é o meu preferido, Lumière, o candelabro que costumava ser um mordomo. Ele ganha vida, literalmente, com Ewan McGregor, que já tem experiência em musical com “Moulin Rouge”, por isso a cena da banquete é ainda melhor no live-action.

Plumette, o espanador par romântico de Lumière, é interpretada por Gugu Mbatha-Raw, atriz ainda relativamente desconhecida.

Horloge (Cogsworth em inglês), o chefe dos funcionários transformado em um relógio, é interpretado pelo eterno Magneto do X-men e o Gandolf de “Hobbit” e “Senhor dos Anéis”, Ian McKellen. Não me conformo por não ter o reconhecido de primeira, mas isso faz parte da genialidade dele, consegue ser pessoas completamente diferentes.

Mrs. Potts, o bule que servia como uma camareira (acredito eu), é Emma Thompson, famosa por ter vivido a Nanny McPhee nos dois filmes, mas também pela saga “Harry Potter”. Lembro-me também de a ver no filme em mosaico “Simplesmente Amor” (“Love Actually” – 2003).

Madame Garderobe, o guarda-roupas que era cantora de ópera, e vive triste porque está longe de seu Maestro, mas pode contar com Froufrou (seu cachorrinho que se transformou em um puff), é interpretada por Audra McDonald. Conheço essa atriz por causa da série “Private Practice”, filha da série “Grey’s Anatomy”, mas que já foi cancelada em 2013.

Maestro, o piano que era um maestro e marido da guarda-roupa, que não existia na animação de 1991, é vivido por Stanley Tucci, somente um personagem feito para um ator como ele poderia unir a amargura de viver tão perto mas tão longe da amada com um toque de humor. O cara termina banguela, mas feliz… entendedores entenderão!

Preciso falar duas coisas sobre esse elenco. Primeiro, não sei exatamente se o design gráfico de Lumière foi feita em especial para McGregor, mas é a impressão que o filme dá, em todos os momentos eu o vi naquele candelabro.

Segundo, além de Emma Watson e de Emma Thompson, mais dois ou três atores participaram de um dos filmes de Harry Potter, como por exemplo Ray Fearon e Stanley Tucci. Fica a questão: fazer Harry Potter era um pré-requisito para fazer esse live-action?! Se assim foi, vocês têm a promessa dessa colunista aqui de pensar em assistir algum outro filme da saga kkkkkk!

Só mais uma coisa, a música “Beauty and The Beast”, tema clássico, também recebeu uma versão nova, agora nas vozes de Ariana Grande e John Legend.

Vou ali vestir meu vestido amarelo-dourado, procurar minha Fera e dançar minha valsa… Ou ir assistir o filme novamente, porque vale a pena.

Beijinhos e a até a próxima!

3 Avaliações

3 Comments

  1. Joana Darc Configurações

    21 de março de 2017 em 13:35

    Amei seu post, me senti assistindo ao filme.

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