As faces de Nona – “Nona: Se Me Molham Eu Os Queimo” - NoSet
Cinema

As faces de Nona – “Nona: Se Me Molham Eu Os Queimo”

A reação de alguém sob ataque pode ser considerada natural, mas nem sempre é esperada, especialmente por uma senhora de 66 anos.

Estreia essa semana o filme “Nona: Se Me Molham Eu Os Queimo”, um drama experimental com produção chilena, brasileira, sul coreana e francesa. A direção é de Camila José Donoso, estrelada por Josefina Ramírez e participação do brasileiro Edu Moscovis.

O longa é de 2018 e já “passeou” em 08 festivais, incluindo a edição de 2019 do Festival do Rio. A distribuição nos cinemas brasileiros é da Vitrine Filmes.

Nona, cujo nome real é Josefina, tem 66 anos e decidiu se vingar de um antigo amante. Para não ser presa, ela se refugia em um vilarejo costeiro chileno, Pichilemu, cercado por uma misteriosa floresta, com aquela aparência que poderia ser incendiada a qualquer momento.

Pois então, incêndios misteriosos começam a acontecer, deixando os moradores em pânico a cada alarme de foco de fogo com possibilidade de se alastrar. Mais misterioso é fato da casa de Nona não ser alvo de nenhum desses focos, ela simplesmente saiu ilesa disso tudo.

A suspeita principal de boa parte das pessoas era de que os incêndios fossem uma obra do Diabo, já que nenhuma autoridade encontrava a razão para aquilo está acontecendo, mesmo com todas as investigações e averiguações.

Entre a chegada de Nona e toda essa situação podemos ver as várias faces dela. Primeiro a autoritária senhora, com ar de superioridade, mesmo sabendo que estava ali porque precisava. Depois como mãe, quando a filha passa alguns dias com ela, ajudando-a depois de um procedimento cirúrgico nos olhos. Quando se ver sozinha novamente, vemos uma Nona vizinha e amiga (falsa amiga, na verdade).

Por fim a vemos como uma mentirosa sem escrúpulos, cheia de más intenções e alta conhecedora de meios incendiários caseiros, estrategista e fugitiva. Caso ainda esteja se perguntando sobre os incêndios em Pichilemu.

O filme tem apenas 1h26 de duração, mas a trama dele é um tanto quanto arrastada, sem grandes acontecimentos, nada que chamasse muita atenção para o mistério e nem que deixasse tudo tão misterioso. Alterna-se entre filmagem profissional e filmagens caseiras, como se Nona, em alguns momentos é a própria filha que registra em sua câmera, em outros é como se fosse uma pessoa que não entra na história.

Há alguns momentos até lindinhos, quando ela está com a filha ou com a vizinha mais próxima (amiga), contando histórias de seu passado, lembrando de quando as filhas assistiam “Chaves” e que, na mesma época, ela mesma estava nas ruas do Chile, lutando contra a ditadura (e isso pareceu ser diversão para ela). Muitos desses momentos são de filmagens caseiras.

Tirando esses momentos, o filme, na minha opinião, parece confuso, sem objetivo real, terminando com a aparição do personagem de Edu Moscovis seguindo Nona e jogando água dentro da casa dela, sem nenhuma razão aparente.

O único esclarecimento que se tem com esse final é o nome do filme, porque faz o contraste entre o fogo (ela sendo incendiária) e a água (que o moço joga na casa dela).

Até Mais!

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