Aí a Ilusão – “Magia ao Luar” - NoSet
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Aí a Ilusão – “Magia ao Luar”

A ciência e a lógica parecem estar sempre em pé de guerra com a intuição, a visão mais sentimental do ser humano. Sabe a velha briga: Humanas X Exatas? É bem isso, mas em um sentido muito mais amplo.

As crenças de um arrogante mágico são colocadas à prova quando ele conhece uma jovem que se diz médium em “Magia ao Luar”, filme de 2014 assinado por Woody Allen. Disponível no catálogo nacional na Amazon Prime Video.

O mágico arrogante é Stanley. Ele sempre teve o dom para a mágica, destacou-se desde cedo no ramo e fez muito sucesso. Nos palcos era o chinês Wei Ling Soo, gênio das artes mágicas, e na vida social era o cético e sarcástico que criticava toda e qualquer crença que não pudesse ser explicada, incluindo aí religiões a existência de Deus (qualquer deus).

Certo dia um amigo antigo o procura, Howard, pedindo ajuda dele para desmascarar uma suposta médium, Sophie Baker, que estava ganhando atenção demais a um casal de amigos muito rico, os Catledge. Isso porque Stanley era conhecido por desvendar qualquer esquema de supostos médiuns.

Ele vai com Howard para a casa de campo do casal, no sul da França, próximo da casa de uma querida tia dele, Vanessa. Primeiro Stanley tenta se disfarçar, não queria que Sophie soubesse quem ele era, para não dar tempo para ela planejar algo para impedir que fosse desmascarada.

As coisas não saem como o planejado. Stanley passa alguns dias com o grupo, logo no primeiro ele assiste uma sessão e não encontra nenhum sinal de truques, tudo parece muito bem planejado … ou poderia ser de verdade.

Depois de muito relutar com suas crenças tão inflexíveis e sua vergonha ao ter que admitir que havia muito mais da vida que a vã filosofia dele pudesse explicar, Stanley abriu sua mente, passou a enxergar a vida de forma mais positiva.

Ele se afeiçoou a Sophie, embora ele não confessasse de forma alguma. Por diversas vezes eles conversas sobre a possibilidade de ela ser pedida em casamento pelo irmão da anfitriã, Brice, que já fazia mil planos para ele e Sophie, mas Stanley sempre incentivou, disse que ela deveria fazer isso mesmo.

Sophie até tenta abordar o assunto, mas o pragmatismo de Stanley, unido ao fato de ele também ter uma noiva, faziam com que ele fosse extremamente cego neste quesito.

Descobrir que caiu em um truque elaborado por Howard e estrelado por ela não o ajudaram muito. Acontece que Howard sempre teve inveja dos dotes de Stanley, se sentia sempre cinco passos atrás. Ao conhecer Sophie, com truques básicos e auxílio da mãe, e como os Catledge’s estavam encantados com ela, Howard viu uma oportunidade de “se vingar” de Stanley.

Sophie não era médium mesmo, ela e mãe aplicavam golpes para sobreviverem. Isso não anula o fato de ela ter tentando parar o truque na metade, quando começou a perceber o quão próxima estava ficando de Stanley, mas Howard não deixou.

Eles realmente se apaixonaram e ela estava disposta a trocar uma vida de luxo ao lado de Brice e se entregar ao sacarmos de Stanley, mas ele não colabora. Mesmo precisando pedir desculpa e sabendo que precisava ser mais “romântico”, ele faz o pior pedido de casamento possível.

Só quando estava totalmente sozinho (ou ele achava que estava), depois de uma paradoxal conversa com a tia, é que ele fala as palavras certas … Que bom que Sophie as ouve.

Esse filme é estranhamente cativante, os protagonistas não são nada como se espera de mocinhos, teriam tudo para que o público não torcesse por eles, mas ao longo da trama se cria essa relação sem muito sentimentalismo, mas com sorrisos e um encontro de mentes, apesar dos pesares.

O objetivo do truque não era que Stanley acreditasse em Deus ou em vida após a morte, mas que ele diminuísse sua arrogância, visse que ele também poderia cair em truques de ilusão. O resultado foi além, fez com que ele se tornasse mais positivo, abrindo espaço para a discussão filosófica que fazia o pano de fundo do filme.

A discussão filosófica e espiritual enriquece nos pontos em que o filme poderia pender para uma comédia romântica comum, mesmo nos momentos mais despretensiosos. Não se fala em uma religião específica, mas que a vida poderia ser muito mais do que aquilo que os olhos vêm e isso significou muito para Stanley.

Quando ele descobre o truque ele afirma que a felicidade e o otimismo foram uma ilusão e que isso não seria positivo, preferia viver a mais dura das realidades. Ainda assim, ele continuou vislumbrando as coisas boas e as inúmeras possibilidades que teria.

E por tudo isso, e por se passar na França, é possível ver os sinais de Woody Allen, mas de forma equilibrada. Acredito que até mesmo quem não é muito fã desse formato de filme gostaria de assistir “Magia ao Luar”.

O elenco ajuda a atrair as atenções.

Esse sarcástico e cético, mas muito charmoso, mágico é vivido por Colin Firth. Quem mais poderia fazer um personagem tão agridoce do que o antigo Mr. Darcy (da série de 1995)?

Desde que eu vi “O Diário de Bridget Jones” e “Simplesmente Amor” eu sinto que ter Colin Firth no elenco já é 50% de certeza que o filme será bom. Estou certa? Não sei, mas vale a pena assistir filmes como “Nanny McPhee”, “Tudo o que uma garota quer”, “O Retrato de Dorian Gray”, “O Discurso do Rei”, “Kingsman”, “O Retorno de Mary Poppins” e, LÓGICO, “Mamma Mia” (1 e 2).

A simpática falsa médium é interpretada por Emma Stone, uma das melhores opções para comédia romântica e vem se mostrando tão boa no drama quando no humor. Alguns dos títulos de sucesso dela são “A Mentira”, “Amor a Toda Prova”, “Histórias Cruzadas”, “O Espetacular Homem Aranha”, “La La Land” e “A Favorita”.

Além disso, ela já está confirmada para viver a Cruella de Vil no live-action de “101 Dálmatas”, previsto para ser lançado em 2021.

Outros nomes que merecem destaque são:

– Marcia Gay Harden, interpretando a mãe de Sophie. Marcia Gay é conhecida por trabalhar em obras como “O Sorriso de Monalisa”, “Na Natureza Selvagem” e, mais recentemente, em “The Morning Show”;

– Simon McBurney dando vida a Howard. Ele esteve rpesente me filmes como “A Teoria de Tudo”, “Missão: Impossível – Rogue Nation” e “Invocação do Mal”;

– Eileen Atkins, ela é a tia Vanessa, a voz da sensibilidade de Stanley. Recentemente Eileen se tornou conhecida por ter dado vida a Rainha Mary na série “The Crown”;

– Hamish Linklater é o intérprete de Brice, o apaixonado candidato a noivo de Shopie. Ele ficou muito conhecido pelo público (pelo menos para mim) por ser o irmão de Julia Louis-Dreyfus em “As Novas Aventuras da Velha Cristina”.

Até mais!

 

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