A inspiração de uma geração – “Disney’s Newsies: The Broadway Musical”

No final do século XIX os EUA enfrentaram um desafio, a classe trabalhadora começou a se reunir e pedir por seus direitos, a partir muitas histórias e estórias surgiram. Um deles foram dos jornaleiros, jovens que trabalhavam vendendo jornais nas ruas de Nova York, chamados, em inglês, de newsies.

Assista séries e filmes assinando Disney Plus!. A greve foi verdadeira, assim como a luta deles, na época que Teddy Roosevelt era governador daquele condado e que Joe Pulitzer era o magnata dos jornais em na cidade (dono do The World, mas poderoso no ramo).

Para retratar a história a Disney lançou, em 1992, o musical “Extra! Extra!”, com Christian Bale na pele do jovem rebelde Jack Kelly, o impulsionador do movimento. Por volta de 2012 o musical ganhou uma releitura par aos palcos da Broadway, assinada por Harvey Firstein, Bob Tzudiker e Noni White, dirigido por Jeff Calhoun e Brett Sullivan.

Agora, em 2021, podemos ter acesso a essa obra de sucesso na Disney+, com a gravação do espetáculo no palco. Mais uma vez o streaming presenteia os fãs do teatro, que estão com tanta saudade de se sentarem na plateia e aplaudir de pé um trabalho bem-feito.

Vamos à história!

Jack Kelly era esse vendedor de jornais com aura de herói, ele havia fugido do reformatório na carruagem do governador, por exemplo. Ele, como muitos outros, não tinha família, tendo os colegas e amigos de profissão como irmãos, especialmente Crutchie.

O grande sonho de Jack era ir para Santa Fé, viver no campo, ele vivia sonhando cantando sobre isso. Secretamente ele até desenhava (era um artista anto) as paisagens de lá, além de suas memórias do reformatório.

Por que ele foi para o reformatório? Ele era visto como alguém perigoso porque fora visto roubando comida e roupas, mas ele fazia isso para ajudar as crianças que moravam por ali, com as mesmas dificuldades. Era como um Robin Hood.

Os newsies pagavam uma taxa para pegar os jornais que vendiam, essa taxa era do jornal, no caso de Jack e cia era o The World, de Pulitzer. O valor que ficava para eles era a diferença entre essa taxa e o valor vendido ao público.

Um dia eles acordaram com uma notícia terrível, a taxa havia aumentando sem aviso algum, mas o valor final não. Essa era uma artimanha de Pulitzer, ele achava que cobrando mais dos newsies eles se esforçariam mais para vender mais jornais, isso aumentaria a circulação.

Mas a estratégia não funcionou, porque Jack e um novo newsies, Davey, começaram a revolucionária greve, que abriria os olhos de toda a classe trabalhadora. Primeiro eles se recusaram a comprar os jornais e vender nas ruas, unindo os newsies de todos os bairros e depois barraram as carruagens que levavam os jornais para os pontos de venda.

Pulitzer e o dono do reformatório também de uniram, fazendo com que a polícia prestasse atenção no movimento, então teve confronto físico, levando Crutchie a ser preso.

Além disso, uma repórter igualmente revolucionária cobriu o movimento. Ela assinava suas matérias, a maiores sobre eventos sociais, como Katherine Plumber e tinha o sonho de ser uma repórter séria, ela se inspirou na história desses garotos e soube que essa seria sua chance. Katherine conseguiu que a história fosse para a capa do The World.

Mas tinha um problema, Pulitzer dominava todos os jornais, então naquele momento ninguém imprimiria mais nada, eles ficariam sem comunicação em massa sobre o movimento. Também descobrimos que o sobrenome real de Katherine era Pulitzer, ela era filha do magnata, mas estava lutando ao lado dos newsies.

A essa altura os newsies tinham ao seu lado essa repórter e Medda, a dona do teatro burlesco, que foi palco para a reunião da união dos newsies. Isso chamou atenção do governador, que foi até a cidade pessoalmente, falar com Pulitzer e forçar a negociação dele com a classe trabalhadora, um meio termo razoável para que ambas as partes pudessem voltar a trabalhar em paz.

Embalado com um tom cômico, músicas originais e sequências coreográficas de tirar o fôlego, aprendemos a base de um movimento social, a importância da união de uma classe trabalhadora e de buscar os Direitos Sociais.

Não conhecia a história, nem mesmo o filme com Bale, decidi assistir por causa do formato, já que a experiência com “Hamilton” tinha sido tão satisfatória. A experiência de “Newsies” é diferente, mais teatral ainda, muito longe do que seria um filme, com direito a pausa estratégica para receber aplausos (merecidos).

Meu lado advogada amou a história dos Direitos Civis e Trabalhistas, meu lado bailarina se emocionou ao ver um palco e uma plateia de pé, animada com aquilo tudo.

A história é muito bem contada, o elenco é incrível, mas esse meu lado bailarina pesou mais dessa vez. Fiquei babando com os saltos e piruetas feitas com perfeição, o sapateado contagiante, a sincronia, pareceria e cumplicidade de um grupo ao se apresentar, além do abraço do elenco depois que tudo termina (e sim, os créditos mostram esse momento).

Não sei como é o clima do elenco desse musical, mas tenho lindas memórias de apresentação em grupo, esse sentimento de cumplicidade vale a pena qualquer obstáculo, até os erros se tornam histórias posteriores (minhas quedas em palco são lembradas até hoje, acompanhada de crises de risos, começando pela minha).

Voltando para o elenco de “Newsies”, é formado quase todo por bailarinos, atores e cantores da Broadway, a maioria conhecida nos palcos, o que já é muita coisa, porque eles são excelentes, mas alguns já se tornaram conhecidos por trabalhos no cinema e na televisão.

Alguns nomes principais: Kara Lindsay (Katherine); Ben Fankhauser (Davey); Steve Blanchard (Pulitzer); Aisha De Haas (Medda); Ethan Steiner (Les, irmão de Davey, maior fã de Jack e mascote da turma); Tommy Bracco (Newsie – Spor Conlon); Joshua Burrage (Newsie – Jojo); Ben Cook (Newsie – Race); Michael Dameski (Newsie – Tommy Boy); Julian DeGusman (Newsie – Smalls); Nico DeJesus (Newsie – Romeo); dentre outros.

Jack Kelly é vivido por Jeremy Jordan, que ficou conhecido na TV pelas participações em “New Girl”, “Smash” e “Supergirl”. Crutchie é interpretado por Andrew Keenan-Bolger, conhecido pelas participações em séries como “The Marvelous Mrs. Maisel” e “The Undoing”.

Detalhe, Crutchie recebeu esse apelido porque tinha um problema no pé, precisava de uma muleta para andar, que em inglês é crutch. O ator não tem nenhum problema no pé, mas interpreta muito bem o papel.

Já que a gente nem pode subir aos palcos nem se sentar na plateia, assistir um espetáculo desses faz a pandemia passar de forma menos pesada. Obrigada Disney+ pelos mimos.

Até mais!

Nivia Xaxa

Nivia Xaxa

https://bailarinadoforum.wordpress.com

Advogada, focada no Direito da Moda (Fashion Law), bailarina amadora (clássico e jazz) e apaixonada por cultura pop. Amo escrever, ainda mais quando se trata de livros, filmes e séries.