A Anti Meditação – “O Livrinho do Mau Humor” - NoSet
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A Anti Meditação – “O Livrinho do Mau Humor”

A tendência é ser good vibes, meditar, esquecer o stress, aprender a perdoar, canalizar os pensamentos ruins e os tornar em algo positivo, certo?

Então, há quem não consegue ser assim, até tenta, mas não dá muito certo. Tem gente que se cansou desse discurso zen e entre elas está a autora Lotta Sonninen, que lançou, em 2019, “O Livrinho do Mau Humor”, pela Globo Livros.

A primeira impressão ao ver esse livro, antes de abrir, é que se trata dessas questões psicológicas de forma irreverente, para quem não gosta muito do discurso calmo e, sendo repetitiva, good vibes. Mas aí você o abre!

Encontra o que? Um pequeno diário guiado!

A autora não escreve de fato, ela deixa indagações cômicas e que exploram os piores sentimentos, e você é quem escreve o livro de fato. São onze capítulo, no caso, sessões, cada uma focada em uma forma diferente e libertar a raiva, abraçar o ranço e listar os seus inimigos.

À propósito, a capa traseira do livro já te sugere isso, está escrito também: “Dane-se o pensamento positivo/ Esqueça esse lance de yoga/ Meditação é um saco/ Quem precisa ficar zen?”.

Confesso que ainda não consegui escrever o meu livro, tem uma observação ou outra, mas me sinto passando por uma sessão de terapia intensiva e a única reação que tenho ao ler as indagações é ter uma crise de riso, o que me faz esquecer um pouco meus rancores.

E olhe que esta colunista é canceriana, dramática e (às vezes) rancorosa.

Falando sério, tudo parece uma grande brincadeira, mas pode ser uma grande arma para extravasar a raiva de uma forma produtiva. Imagino que quem consegue preencher o livro inteiro e volta para ler tudo o que colocou pode repensar seu posicionamento quanto aqueles pontos, podendo até rever seus sentimentos ali.

Lógico que não substitui sessões com um psicólogo, afinal esse profissional estuda exatamente para poder nos orientar da melhor forma possível, mas provavelmente é uma boa ferramenta para canalizar um pouco a raiva, especialmente quando não se está aberta para terapias tradicionais.

No meu caso, preferia ter algo mais para ler e me ajudar a preencher, para levar um pouco mais a sério esse trabalho e ser completamente sincera. Algo como um comentário, mesmo que use tom de ironia e de humor, mas que possa transmitir o intuito de cada pergunta, o que aquilo representa de uma forma geral.

Mas acho que tenho essa sensação porque sou sempre questionadora, nunca respondo algo assim de imediato, primeiro repenso e, se eu tiver espaço, pergunto a razão de fazer aquilo. Talvez eu tente ser controladora com medo dos resultados, ainda estou descobrindo a razão dessa minha estratégia de pensamento.

A resenha dessa obra é curtinha mesmo, isso representa muito do ela representa, uma reflexão fora da curva, formas diferentes de lidar com os sentimentos, expondo pensamentos íntimos e que não teríamos coragem normalmente.

Mas assim, libertar o seu pior pode tirar um peso dos ombros às vezes!

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