Paixão Obsessiva: Inesquecivelmente ruim! - NoSet
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Paixão Obsessiva: Inesquecivelmente ruim!

Depois de sair do cinema, fiz um exercício criatividade. Todos nós devemos fazer algum de tempos em tempos, forçando a mente a criar. Fiquei algum tempo dedicado a esse esforço. Por fim, dei-me por derrotado. Não consegui ser criativo o suficiente para encontrar uma qualidade genuína em Paixão Obsessiva. Talvez, pensando agora, deva admitir que ele tenha alguma originalidade. O filme abre com uma cena que revela como toda a trama armada contra a personagem principal irá se desenrolar. É um caso surpreendente de autospoiler.

Você vê a primeira cena e fica esperando o momento em que o filme irá surpreendê-lo. Espera algum “ponto de virada” ou a ocorrência de algo imprevisto. O tempo passa e o roteiro segue firme na trilha da mediocridade.

Rosario Dawson interpreta Julia, uma editora bem-sucedida, com um histórico de abuso pelo antigo namorado, que larga o seu emprego e muda-se para a casa do noivo, David (Geoff Stults), na Flórida. Lá, encontra a filha Lily (Isabella Rice) e a ex-mulher de David, Tessa (Katherine Heigl). A história gira entorno do ciúme e da obsessão da ex-esposa Tessa por David, que acaba fixando em Julia a culpa da perda definitiva do ex-marido e do afastamento da filha.

 

 

Somam-se ao roteiro ruim, interpretações do mesmo nível. Katherine Heigl não convence no papel de vilã. Você tem a impressão de já ter visto aquela atuação centenas de vezes. É a pasteurização da maldade. Sem sombra de dúvida, contudo, a pior atuação é a de Geoff Stults. Ele permanece o filme inteiro com a mesma expressão. Há momento em que sua atuação beira à galhofa, como quando mantém estável no rosto o afável sorriso ao encontrar com a noiva, na delegacia, depois de ela ter sido violentamente agredida por um ex-namorado e ter sido acusada de homicídio. Sequer a criança está bem no filme. Isabella Rice igualmente não consegue gerar qualquer empatia no público, mesmo sofrendo nas mãos da “mãe-vilã”. De todos, salva-se Rosario Dawson, que, embora sem brilho, concede alguma credibilidade ao seu personagem.

A fotografia é aborrecida e típica dos antigos telefilmes, rodados com orçamento baixo. Aliás o enredo, as atuações, os enquadramentos e o figurino lembram novelas televisivas. No Brasil, pensado bem, isto talvez seja uma vantagem.

Paixão Obsessiva é um suspense sem suspense. Quem já viu mais dez filmes em toda a sua vida, sabe como ele começa, desenvolve-se e termina. Pelo o que se propõe, poderia evocar Atração Fatal, de 1988, mas somente propor essa comparação já seria um desrespeito com o filme de Anne Archer, Michael Douglas e Glenn Close. Se este é, como alguns disseram, o Atração Fatal dos nossos tempos, até mesmo o ciúme e obsessão estão perdendo o brilho.

O título em inglês, Unforgettable, certamente me diz muito mais sobre o filme do que o nacional. É inesquecivelmente ruim.

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