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Os óculos no cinema: definitivamente Hollywood não os ama

Sessão da tarde. Começa mais um daqueles filmes água com açúcar. Mais um sobre “a transformação do patinho feio em cisne”. E como começa essa transformação? Oras, jogando fora os óculos! Parece que os óculos, segundo Hollywood, são os grandes vilões da aparência feminina. Se você usa óculos, amiga ou amigo, sinto muito mas você é um nerd sem graça e desajeitado, que não pode ser “líder de torcida” ou “quarterback”. Você é da turma mais desprezada. Bom, pelo menos para Hollywood.

Os óculos são sempre usados para “enfeiar” ou disfarçar alguém. A beleza se esconde atrás das armações e das lentes “fundo de garrafa”. Superman e Supergirl, com um simples par de óculos ficam irreconhecíveis. Nem a mulher do cara, Lois Lane, o reconhece. Prenda os cabelos, limpe a maquiagem, coloque uma saia gigante combinada com um moletom e um coturno. Pronto. Você está horrorosa.

Temos vários exemplos dessa aversão aos óculos no cinema. Em “O Diário da Princesa”, Anne Hattaway muda de aparência. Após colocar um par de lentes e fazer uma chapinha nos seus cachos, já é outra mulher. Antes uma “não-popular” asquerosa e sem graça. Depois, a princesa. Amada. Inclusive pelos interesseiros.

No filme “Ela é demais”, Rachel Leigh Cook ganha uma super transformação do garoto mais popular da escola, Zack, o jogador de futebol. Mas ele não faz isso por bondade.  Após terminar com sua namorada, a “pop” da escola, ele diz que ela é substituível e que qualquer garota poderia ser rainha do baile. Então aposta com seu amigo, que escolhe a CDF feinha de óculos e mal-vestida, Laney Boggs. Claro que a primeira coisa a ser jogada fora são os óculos. E o elástico do cabelo. Ela fica linda e popular. Que estrago um óculos não faz…

Não para por aí. Em “Casamento Grego”, Nia Vardallos se redescobre. Começa a estudar, se valoriza e…joga fora os óculos. Uma boa maquiagem e uma troca de guarda roupas e voilá! Temos uma ganhadora aqui, meninos! Após essa transformação, Toula encontra Ian. Que nunca tinha reparado nela no restaurante onde ela trabalhava com sua família. Afinal, ela estava escondida sob espessas lentes. Sem elas e com o cabelo solto, Toula deixou de ser invisível.

Pra completar, mais um exemplo. Em “A casa das coelhinhas”, a transformação é coletiva. Anna Faris, depois de ser expulsa da mansão da playboy por ter passado da idade, acaba caindo na irmandade universitária Zeta, formada por várias destrambelhadas jovenzinhas, que usam óculos, se vestem mal e prendem o cabelo. Anna tem um trabalho árduo para transformar as cdf`s em garotas populares e resgatar o prestígio dessa irmandade, que sempre teve garotas sexys e bonitas. Nerds na Zeta? Nem pensar!

Como vemos, Hollywood e os filmes “Teen” não amam os óculos. Minha geração, dos anos 80 e 90, cresceu achando que era um desprestígio usar óculos, que pra ficar bonita deveria deixar o acessório em casa, tomar cuidado para não tropeçar e passar calor de cabelo solto. E acabar comendo algo que não gosta, já que não está enxergando o cardápio… Ainda hoje podemos perceber que os olhares sempre param nos estereótipos.

Em contrapartida, a criançada de hoje adora um bom par de óculos. Virou acessório de moda. Vários compram armação sem lente. Estilo. Com cores e modelos variados, os óculos complementam o visual, combinam com a roupa e trazem aquele “ar” intelectual, nerd. Agora é bonito ser nerd. E eu até gosto dessa moda. Eu que sempre escondi os óculos na bolsa e pedia comida sem saber os ingredientes. Mas ainda me sinto esquisita de óculos e cabelo preso. Resquícios de Hollywood.

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