O Poço (El Hoyo) – Netflix 2020 - NoSet
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O Poço (El Hoyo) – Netflix 2020

Salve Nosetmaníacos, eu sou o Marcelo Moura e hoje vamos falar de um filme espanhol polêmico, com violência e humor acido, com bastante críticas sociais e referências religiosas que você precisa assistir.

El Hoyo: The Platform é um filme de suspense e terror de ficção científica espanhol, dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia e lançado em 2019. O filme se passa em uma grande instalação no estilo de torre, onde os moradores, que são trocados periodicamente aleatoriamente entre andares, são alimentados por meio de uma plataforma, inicialmente cheia de comida, que desce gradualmente pelos níveis da torre, um sistema claramente obrigado a entrar em conflito, pois os presos nos níveis mais altos têm a chance de comer o máximo que puderem em um determinado período de tempo, deixando cada vez menos para os que estão abaixo. No elenco Iván Massagué, Antonia San Juan, Zorion Eguileor, Emilio Buale Coka e Alexandra Masangkay. Produção Companhia Filmes Bascos, Mr. Miyagi Films e Plataforma La Película AIE, distribuído pela Netflix. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2019 , onde ganhou o People’s Choice Award por Midnight Madness. No TIFF, o filme também garantiu um acordo mundial de streaming com a Netflix.

Sinopse: Goreng acorda em uma cela de concreto marcada com o número 48. Seu colega de cela, Trimagasi, explica que eles estão em uma prisão em estilo de torre na qual os alimentos são entregues através de uma plataforma que viaja de cima para baixo pelos grandes buracos nos pisos e tetos, aqueles em níveis mais baixos são capazes de comer apenas o que os que estão no topo os deixam. Cada quarto é aquecido ou resfriado fatalmente se os prisioneiros tentarem acumular comida depois que a plataforma tiver deixado seu nível. Todo mês, os prisioneiros são designados para um novo nível, e cada prisioneiro pode trazer um item com eles. Goreng escolheu uma cópia de Dom Quixote, Trimagasi uma faca auto-afiável.

Crítica: Brutal, sádico e até grotesco, O Poço é um exemplo de filme atemporal que você bate palma quando acaba, tal o nível de entrega do elenco, um roteiro coberto de críticas sociais e repleto de um humor acido invejável, uma história intrigante, que a cada momento acessa uma nova informação, deixando você perplexo com o que vê. O cinema europeu está de parabéns, sempre trazendo filmes que fogem do padrão Hollywoodiano, nem sempre com finais felizes, mas sempre com algo a se pensar, mesmo que em gêneros menos usuais  como o terror, esta obra tem um conteúdo muito forte e uma crítica claríssima a sociedade.  O filme se divide claramente em A Administração, um governo que se importa mais em fazer do que para quem faz, trazendo sofrimento aos menos favorecidos, o Presídio Vertical (O Poço), representando a sociedade, sendo os andares mais altos aos mais favorecidos e os abaixo os menos, que vivem de restos, e seus encarcerados, que mudam de andar de acordo com o mês vigente.

Não é novidade filmes e séries sobre presídios intransponíveis ou decadentes que levam seus usuários a loucura, temos centenas deles americanos e alguns europeus que demonstram bem isso, como Papillon (1973) ou Fuga de Alcatraz (1979), mas se engana quem pensa que este é um filme comum, O Poço é uma proposta para quem assiste, uma jornada no purgatório humano, mesmo que fique em aberto o motivo principal porque todos estão ali, isto cabe a cada interpretação de quem vê o filme, cada personagem tem algo quase que pecaminoso nas suas vidas para pagar, sejam vícios ou violência,  representados pelo objeto que levam para o cárcere e o tempo que escolhem ficar nele. Estas nuance são explicadas a cada mudança de andar que o filme se propõe, mostrando o pior da humanidade e como nosso herói, em sua jornada, vai se transformando a cada andar que passa.

Do elenco Iván Massagué (Goreng) é o próprio Don Quixote que traz no seu livro e seu personagem o centro do filme. Seu entendimento do que está vivendo é semelhante ao nosso, que vamos absorvendo as nuances do presídio a cada informação que recebemos, Goreng inicia como uma pessoa pronta para pagar seu tempo no presídio sem muitas questões filosóficas ou morais, assim com nós, mas acaba se envolvendo no cotidiano e seu modo operante, tendo sua própria conclusão de como mudar o que está estabelecido. Já o humor acido de Zorion Eguileor (Trimagasi) é a melhor coisa do filme. Equlleor é quase um “grilo falante do mal”, só se preocupando consigo mesmo, faz criticas ao modo operante do presídio, mas é o que melhor o enxerga, fazendo exatamente tudo aquele mantém viva a discórdia. Ele mija e cospe na comida para que as pessoas do andar de baixo sofram o que ele sofreu, mesmo sabendo que um dia pode estar lá e o de baixo acima, vivendo um dia pelo outro. É um personagem egoísta e egocêntrico, mas longe de ser o vilão, é como ele mesmo diz, um sobrevivente.

Tentei ao máximo evitar spoilers, mas tem um que não posso deixar de falar, então se quiser pular esse parágrafo fique a vontade. No final descobrimos que O Poço tem 333 andares e cada andar duas pessoas, logo 666 pessoas. Seria uma coincidência?

Curiosidades: No site agregador de críticas Rotten Tomatoes , o filme possui uma classificação de aprovação de 83% com base em 52 críticas com uma classificação média de 7,43 / 10. O consenso dos críticos do site diz: “Embora possa parecer confuso às vezes, The Platform é um thriller distópico inventivo e cativante”. Norman Wilner, da Now, previu corretamente que o filme ganharia o People’s Choice Award, atribuindo-lhe uma classificação de cinco N e escrevendo que o filme “tem tudo: comédia social, alegoria política, reviravoltas, surpresas agradáveis ​​para a multidão, violência espetacular, sadismo, altruísmo e ainda mais violência espetacular, tudo embrulhado em um filme de terror de alto conceito que move a premissa de Cube em uma estrutura vertical impiedosa. É grotesco e convincente, como o moinho Buñuel. Amy Nicholson, da Variety, escreveu que “a fúria minimalista do filme parece com as peças de Samuel Beckett . Massagué e Eguileor estão numa loucura à espera de Godot (à espera de Gateau ). E o desempenho desagradável, delicioso e ocasionalmente terno de Eguileor parece um audição para interpretar um vilão de Bond , ou talvez a ressurreição espanhola de Hannibal Lecter “.

Ouça nosso podcast sobre o filme:

SetCast – O Poço

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