Liga da Justiça. Gerações de fãs dos quadrinhos ganharam um filme que os respeita. - NoSet
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Liga da Justiça. Gerações de fãs dos quadrinhos ganharam um filme que os respeita.

Já recebeu um presente que o fez se questionar se estava realmente vivendo aquele momento? Caso sua resposta tenha sido positiva, você então tem uma ideia de como me senti ao assistir Liga da Justiça. Tudo que eu gostaria de ver em um longa onde a mais poderosa equipe da DC estaria reunida, aconteceu. E isso significa o seguinte: a DC achou o caminho correto.

Claro que algum leitor deve pensar “ele é fã da DC, como acreditar nas palavras de um cara assim?”. Bem, para que essa dúvida seja sanada, deixo claro que busco a imparcialidade em todos os artigos que produzo e, além disso, não sou fã apenas da DC, já que amo algumas histórias e personagens da Marvel com igual intensidade. Para mim só há um tipo de história: a boa. Seja Marvel, DC, Dark Horse, Image ou até mesmo as tirinhas de Calvin e Haroldo, sempre irei prestigiar as tramas bem elaboradas e bem contadas. E eu não tenho a menor dúvida de que Liga da Justiça tem predicados suficientes para que eu afirme categoricamente que ele superou todas as minhas expectativas e já se encontra entre os três melhores filmes de super heróis lançados até hoje.

Então, para comprovar o que disse acima, nada mais honesto e justo do que expor todos os pontos que irão alicerçar minhas palavras. Continuem comigo nessa jornada!

Coerência.

LJ tem interligação com os mais recentes filmes da DC (Homem de Aço, Batman v Superman e Mulher-Maravilha). E essa é uma expectativa atendida, já que até Esquadrão Suicida está vinculado a BvS. E o que isso demonstra? A DC não quer que seus filmes sejam desconexos ou controversos entre si. A linha temporal está até o momento muito boa e algumas falhas foram corrigidas. Vale também destacar que muitas referências aos outros filmes surgem, o que requer bastante atenção por parte do espectador.

Os acontecimentos de um filme afetam realmente o que se segue na cronologia. Eu creio que é essa visão mais realista que dá credibilidade aos novos filmes do DCEU. E por falar em realismo (ou o mais próximo disso), a DC pega bem pesado nesse quesito, pois catástrofes, mortes e combates deixam sequelas naqueles afetados por eles. Isso é bem visível em Liga da Justiça em uma das cenas do Batman.

Homenagens.

LJ é um poço de referências e homenagens aos quadrinhos e animações onde os personagens são destaque. Por isso, já antecipo, fique atento às cenas pós-créditos que são absolutamente geniais e mostram o quanto o filme foi pensado para agradar TODOS os fãs da equipe. Não entrarei em detalhes para não estragar as surpresas, óbvio.

Qual a trama de Liga da Justiça?

Os acontecimentos deste filme se passam exatamente após BvS, Esquadrão Suicida e Mulher-Maravilha e tem, como já disse, ligação e referências dos três filmes.

A história mostra as dificuldades de Bruce e Diana para recrutar novos super-heróis que possam combater uma ameaça tão perigosa quanto o Apocalipse, o vilão Lobo da Estepe (Steppenwolf). A função do mortífero vilão é recuperar as três caixas maternas que estão na Terra. As caixas são o plot para interligar e justificar a aparição das Amazonas, dos Atlantes e de mais personagens que irão deixá-los impressionados e orgulhosos com a direção e roteiro.

O Lobo da Estepe é um inimigo tão poderoso que sua presença põe em risco todo o planeta. Os Parademônios presentes em BvS (através do sonho de Bruce) surgem realmente e se mostram ferozes assassinos que farejam, literalmente, o medo. Destaque para a participação do ator Holt McCallany (da série Mindhunter) como um ladrão que encara o Batman.

Ter todas as caixas é o propósito do Lobo da Estepe, objetivo que lhe dará poder suficiente para dominar a Terra e destruir os heróis que o enfrentam. Esse ressurgimento, ao que tudo indica, se dá por causa da morte do Superman, fato que fragilizou nossa defesa contra seres do porte do Lobo e de Darkseid.

Entretanto, o roteiro tem como real propósito mostrar as dificuldades para harmonizar seres tão poderosos e motivá-los a se unirem em prol de um objetivo comum. De forma básica, Liga da Justiça é um filme onde o equilíbrio de forças e a união pelo bem maior são os elementos vitais para que seja evitado o mal que vem na forma de um ser extraterreno que já causou estragos à Terra em um passado remoto.

ATENÇÃO! A partir deste ponto, vou analisar o longa com SPOILERS. Logo, caso ainda não tenha visto esse filmaço, interrompa a leitura e vá vê-lo ou, se quiser, prossiga por sua conta e risco. Na verdade, saiba que vale demais a leitura que está por vir.

Direção e roteiro.

Você pode não saber, mas Zack Snyder tem ao menos 80% da direção desse filme. Infelizmente, por motivo do suicídio de sua filha, Zack se afastou e não pode concluir Liga da Justiça, sendo substituído por Joss Whedon (Vingadores). Honestamente, pouco se percebe nas inserções de Whedon. A ação continua com as marcas próprias de Snyder e isso é ótimo. Muitos criticam o slow motion e as tomadas que Snyder cria, mas é importante relembrar que ele teve sua marca em Mulher-Maravilha, BvS e Homem de Aço, todos eles com boas bilheterias e polêmicos em alguns aspectos. Goste ou não dele, o que importa é que a inserção de Whedon e a direção de Zack foram vitais para que tivéssemos esse presente de Natal antecipado.

Também preciso citar que uma direção impecável só tem impacto quando há um roteiro consistente. E é muito bem elaborado o roteiro de Liga da Justiça. Não há reviravoltas mirabolantes ou sagas galácticas… tudo está bem ambientado em nosso mundo. Existem heróis que se preocupam com a humanidade e estão dispostos a se sacrificar. Existe o espírito de equipe que encontramos entre verdadeiros soldados em guerra. Há o mal e ele precisa ser detido, ainda que ao custo da própria vida. O roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon não tem pretensões de ser grandioso, mas apenas de mostrar a história de seres grandiosos. A ação não se sobrepõe em momento algum os valores morais de homens e mulheres que estão fisicamente acima dos humanos, porém jamais se consideram superiores.

As cenas estão muito bem filmadas e existe um ou outro ponto visível em relação ao CGI, fruto da provável montagem acelerada após a saída de Zack Snyder do filme. Isso, contudo, não prejudica em nada o resultado final e, friso, só será percebido pelo fã que quer dar atenção aos detalhes técnicos e esquecer a diversão.

Trilha sonora.

Hans Zimmer se aposentou e ficou um hiato. Ele foi o responsável por trilhas empolgantes de produções como O Rei Leão, Conduzindo Miss Daisy, Thelma & Louise, Gladiador e Batman v Superman, apenas para citar. Teríamos então uma trilha grandiosa em LJ ou o substituto erraria e prejudicaria a produção? Esse questionamento foi feito por milhões de fãs pelo mundo e a Warner não abriu mão de escalar alguém à altura de Zimmer. Estou falando de Danny Elfman, responsável por trilhas em longas como A Noiva Cadáver, Alice através do espelho, Beetlejuice, Oz, mágico e poderoso, Batman (1989), Edward mãos de tesoura, Eclipse Total, Missão Impossível, Homens de Preto, Gênio Indomável, Planeta dos Macacos (de Tim Burton), Gigantes de Aço e muitos outros.

Danny cumpriu com muito talento a árdua tarefa de criar uma trilha sonora à altura da grandiosidade da produção de LJ. Mais do que uma trilha comum, Danny incluiu versões de clássicos que marcaram alguns dos heróis da Liga, mais especificamente o Batman e Superman. A homenagem veio através das músicas dos filmes Batman (1989), dirigido por Tim Burton e com trilha do próprio Danny Elfman, e o inesquecível Superman (1978), dirigido por Richard Donner e cuja música está imortalizada pelo talento do grande John Williams.

Em suma, a trilha sonora de Liga da Justiça está perfeitamente encaixada com o longa e mostra que Elfman ainda tem muito a render.

Heróis.

A busca de Batman (Ben Affleck) e da Mulher-Maravilha (Gal Gadot) por outros super heróis é uma extensão do que vimos em BvS. Este já mostrava os meta-humanos e seus poderes, porém ainda não havia sido formalizado o recrutamento deles para a Liga.

Assim, diante de um mundo mais caótico (onde é mostrado desde o vandalismo até o terrorismo gratuito), a união entre Batman e a Mulher-Maravilha se estende a outros heróis. Uns relutam diante do recrutamento, ao passo que o Flash (Ezra Miller) entra tão empolgado quanto Peter Parker nos Vingadores em Capitão América: Guerra Civil.

O roteiro e a direção novamente se encaixam muito bem e dão espaço para que cada um dos super heróis tenha seu perfil desenvolvido, suas histórias por trás das máscaras. Isso foi o suficiente para que saibamos sobre o passado do Aquaman (Jason Momoa), da difícil vida do Flash que tem seu pai preso, da reconstrução corporal do Cyborg e de seu dilema de viver como uma máquina em constante evolução. Também há tempo para que descubramos que Bruce Wayne ainda se sente mal pelos acontecimentos em BvS, principalmente a morte do Superman.

Quanto à Diana, conseguimos descobrir um pouco mais de sua dor diante da perda de Steve Trevor e daquilo que a manteve por anos afastada do combate ao crime junto a seus aliados.

O resumo é bem simples. O filme fala sobre heroísmo e as dificuldades em ser herói. Personagens têm suas fraquezas e medos mostrados, porém jamais deixam de ser defensores dos valores que acreditam e da humanidade que os temem.

LJ mostra o quanto o combate ao crime desgastou Bruce Wayne e deixa bem claro que ele luta contra o mal há duas décadas, remetendo ao clássico dos quadrinhos Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Isso fica mais evidente na cena em que Bruce levanta uma parte de seu uniforme e é possível ver diversos hematomas, o que destaca sua fragilidade humana diante de seres poderosíssimos. Óbvio que o Batman ainda é um adversário que impõe muito, muito respeito.

Aparições curtas.

Alguns personagens têm participações pequenas ou relâmpago. Novamente isso se mostra como um lembrete da seriedade do trabalho no DCEU. Martha Kent (Diane Lane) e Lois Lane (Amy Adams) surgem em momentos cheios de emoção. Lois é vital em uma das mais emocionantes e brutais cenas de LJ.

Alfred (Jeremy Irons) se desvincula do estereótipo do mordomo e surge como o mecânico, estrategista e irônico amigo e aliado de Bruce Wayne. Ele perde a aura de fragilidade que algumas versões dos quadrinhos e cinema impuseram.

Mera (Amber Heard) é outro destaque rápido e de grande impacto. A atlante ainda tem muito a ser desenvolvido como personagem e o pouco mostrado já dá uma clara ideia do poder e da importância dela para Atlantis e o Aquaman. Esse desenvolvimento estará presente no futuro filme do herói que “conversa com os peixes”, como diria Bruce Wayne.

O pai do Flash, interpretado por Billy Crudup (o Doutor Manhattan de Watchmen) tem pouca participação. Isso não impede que ele seja vital para um passo que levará Barry Allen mais próximo daquilo que conhecemos dele nos quadrinhos. Silas Stone (Joe Morton), pai de Victor Stone (Ray Fisher) o Cyborg, tem papel vital na criação do herói. Todavia isso só é mostrado de forma velada no filme, ficando os detalhes expostos em BvS.

Agora, vocês irão surtar com a aparição do Lanterna Verde. A narrativa não está no presente, porém dá esperanças para que possamos enfim assistir a um Lanterna (ou a Tropa dos Lanternas) em um filme próprio ou em participações especiais mais longas.

O affair entre Batman e Mulher-Maravilha.

Esse é um ponto muito aguardado por muitos fãs. Uma vez que Superman é apaixonado por Lois Lane, Diana Prince fica (por enquanto) descartada como um provável enlaço amoroso do herói (algo já visto nos quadrinhos). Assim, fica aberta a possibilidade de um romance entre Bruce e Diana. Apesar de nada acontecer para afirmar isso, há um clima bem interessante em uma passagem do filme, algo bem próximo da admiração que poderá evoluir para um amor. Será?

Humor.

Não gosto de apontar um acerto através do erro de outro, porém é impossível não citar Thor: Ragnarok para comparar o uso certo e o errado do humor em uma produção sobre super heróis.

Vamos ao dito “alívio cômico”. Em geral é uma personagem cujo humor serve para quebrar o clima tenso ou aliviar uma cena mais dramática. É, enfim, algo que minimiza os impactos de uma produção mais sombria ou densa, desde que esse humor não seja excessivo ou aplicado em momentos desnecessários ao momento. É preciso ter inteligência para aplicar o humor e dosá-lo ou estaremos diante de um drama disfarçado de comédia, algo desagradável e incompatível com o que se espera do filme.

Isso, infelizmente, aconteceu em Thor: Ragnarok.

Já em Liga da Justiça houve um balanceamento, o uso correto do humor, sarcasmo e ironia. O Flash é o “alívio cômico” e faz isso com muita propriedade, seguindo a tendência de algumas das animações da própria DC onde Barry é o bem humorado do grupo. Claro que há outras pequenas piadas inseridas no contexto da narrativa, sem excessos ou aplicações em momentos equivocados. O roteiro comete outro grande acerto ao aplicar o humor sem transformar um filme de super-heróis em paródia ou comédia.

Caixas Maternas.

Os objetos que apareceram apenas em flashes ou de forma enigmática em BvS ganham importância nesse longa. As caixas fazem parte da história de humanos, atlantes, amazonas e deuses, envolvendo inclusive seres de outros mundos.

E isso não para por aí. A história de Viktor Stone, do Superman e a invasão à Terra estão diretamente relacionadas a esses objetos de poder.

Fazer com que o Batman perceba o potencial dessas caixas e usar uma delas para ressuscitar o Homem de Aço foi uma ideia muito bem aplicada e não me pareceu incoerente. Alguns críticos gostariam de ver algo mais próximo dos quadrinhos. Eu, entretanto, vejo uma ideia inteligente capaz de explicar o ressurgimento do herói, demonstrar o grau de inteligência do Batman e atrelar a reação do Cyborg diante do Superman à presença do poder da Caixa Materna.

Parcerias.

Vocês se divertirão com as parcerias durante o filme. Batman e Mulher-Maravilha, Batman e Superman, Cyborg e Flash, Cyborg e Aquaman, Aquaman e Batman… são várias as combinações que mostram o quanto a equipe ganha em coesão e comprometimento. Há momentos extremos de tensão e isso é bem aproveitado, o que não impede que haja ações conjuntas capazes de extasiar o fã dos quadrinhos, animações e tudo mais relacionado à Liga da Justiça.

Pequenos lembretes sobre o caos da atualidade.

A escolha de uma cidade russa abandonada para sediar a união das Caixas Maternas foi algo interessante. O lugar é ermo e há uma usina nuclear desativada. Os cidadãos que persistem em lá morar o fazem, sobretudo, pelo medo de não conseguir sustento em outra localidade. Eles lembram muito as vítimas de guerras civis ou militares que se negam a se tornarem refugiados e permanecem em suas cidades, ainda que haja o risco de morte. São pessoas de coragem que se negam a recuar diante da violência. Assim é a família russa apresentada no filme.

Frente ao caos provocado pela perda da esperança, muitas pessoas optam por se afastar até das lembranças dos dias bons. Isso ocorre com Martha Kent e vemos uma Lois Lane triste em diversos momentos. Essa tristeza e a desesperança surgem não só por causa dos atos violentos e da morte do Superman, elas surgem pela visão de homens e mulheres entregues à anarquia e ao terror.

Notas finais.

Liga da Justiça já está na minha lista dos cinco melhores filmes de super-heróis da história. Os motivos para essa afirmação estão explicados acima.

Gostei tanto do longa-metragem que vou assistir pela segunda vez, sem dúvidas.

Agora um fato precisa ser dito: as cenas pós-créditos são simplesmente sensacionais. Há um verdadeiro fan service em cada uma delas e fica o aviso: se você é fã dos Superamigos, irá enlouquecer com o que verá. A tensão pelo segundo longa da equipe está instaurado assim que acabam as cenas pós-créditos.

Corram para o cinema e prestigiem essa obra-prima da DC que agradou fãs antigos e novos, pessoas que nada conhecem de super-heróis e até os críticos que julgavam que o DCEU estaria acabado.

Ainda há muito para ser mostrado do inacreditável Universo da DC. E que a parceria Zack Snyder e Joss Whedon seja firmada no próximo filme da Liga.

P.S.: O caminho para Flashpoint foi aberto de forma discreta, quase imperceptível para quem não conhece quadrinhos. Parece que as coisas finalmente estão certas na DC. Nós, fãs de quadrinhos e da arte de qualidade, agradecemos.

Nota:

 

 

 

 

 

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