Green Book: Uma Viagem Social a História Americana. - NoSet
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Green Book: Uma Viagem Social a História Americana.

Salve Nosetmaníacos, eu sou o Marcelo Moura e hoje trago a crítica de Green Book, um filme dramático, com boas pitadas de comédia, mas muito mais contemplativo do que relaxante.

Green Book: Direção Peter Farrelly, produção Jim Burke, Charles B. Wessler, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly e Nick Vallelonga, roteiro Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly. Elenco Viggo Mortensen, Mahershala Ali e Linda Cardellini, música Kris Bowers, cinematografia Sean Porter e edição Peter J. Don Vito. Companhias produtoras DreamWorks SKG, Amblin Partners, Participant Media, Conudrum Entertaniment e Cinetic Media, distribuição Universal Pictures.

Lançamento nos Estados Unidos em 16 de novembro de 2018 e com um orçamento de US$ 23 milhões, Green Book é um filme dramático americano sobre  uma turnê na região de Deep South, nos Estados Unidos, feita pelo pianista de jazz clássico Don Shirley (Mahershala Ali) e Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), um segurança ítalo-americano que trabalhou para Shirley como motorista e segurança. Dirigido por Peter Farrelly, o roteiro foi escrito por Farrelly, Brian Hayes Currie e Nick Vallelonga, baseado nas entrevistas de seu pai e de Shirley, além das cartas que foram enviadas à sua mãe. O título do filme foi influenciado pelo livro The Negro Motorist Green Book, informalmente chamado de Green Book, que se tratava de um guia turístico para viajantes afro-americanos, escrito por Victor Hugo Green para ajudá-los a encontrar dormitórios e restaurantes favoráveis.

Green Book estreiou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro de 2018, onde foi galardoado com o People’s Choice Award, que premia os filmes mais populares entre os festivais. Em 16 de novembro de 2018, foi lançado teatralmente nos Estados Unidos por intermédio da Universal Pictures. O filme recebeu aclamação generalizada, cujas avaliações reconheceram prosseguidamente as atuações de Mahershala Ali e Viggo Mortensen. Além disso, foi escolhido pelo National Board of Review como o Melhor Filme de 2018 e entrou para um dos Melhores Dez Filmes selecionados pelo American Film Institute. Recebeu, ainda, indicações para o Prêmio Globo de Ouro de 2019 nas categorias de Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical (Mortensen), Melhor Ator Coadjuvante (Ali), Melhor Direção e Melhor Roteiro.

Sinopse: O segurança de Nova Iorque, Frank “Tony Lip” Vallelonga, está à procura de novos empregos depois que sua fechada foi fechada para reformas que, eventualmente, faz uma entrevista como motorista de “Doc” Don Shirley, um famoso pianista de jazz. O primeiro encontro não tem um bom progresso, já que o comportamento irreverente e superficial de Tony colide com o comportamento reservado e sofisticado d Don. No entanto, Don contrata Tony através da opinião dos demais, já que ele precisava de alguém que pudesse ajudá-lo a evitar problemas durante uma turnê de oito semanas pela região de Deep South. Ambos embarcam com planos de voltar para a casa na véspera de Natal. Tony recebe uma cópia do Green Book da equipe do estúdio de gravação de Don: um guia para viajantes afro-americanos encontrarem locais seguros em todo o sul que, à época, se encontrava segregado.

Crítica: Um ótimo filme para se ver, maduro, complexo, bem dirigido e atuado, Green Book tem tudo para entreter o espectador que gosta de um trabalho com um completo. Não que o estilo do roteiro seja novidade, muito pelo contrário, existem grandes obras cinematográficas que valem muito a pena serem vistas, ou até mesmo compradas com esta obra, como Conduzindo Miss Dayse (1989) ou mesmo Intocáveis (2011) de Oliver Nakache e EricToledano. Estes, assim como Green Book dão um tapa em tabus sociais, que infelizmente até hoje sobrevivem no mundo, mas também garantem a leveza da trama.

No elenco Viggo Mortensen (“Tony Lip” Vallelonga) e Mahershala Ali (“Doc” Don Shirley) tem uma química surpreendente e atuam de maneira a uma indicação ao Oscar. Mahershala Ali que já estava ótimo em filmes como Moonlight (2016), repete uma atuação convincente e delicada ao extrema, um ótimo contraponto ao surpreendente Viggo Mortensen, mais lembrado pro seu papel na franquia do Senhor dos Anéis, mas já mudou seu rumo de sua carreira e reconhecimento desde Capitão Fantástico (2016).  O diretor de comédias dramáticas Peter Farrelly, que tem no currículo Debi e Loid,  Quem Vai Ficar com Mary e O Amor é Cego, acerta em tudo e consegue entregar o melhor trabalho de sua carreira. Infelizmente filmes dramáticos não tem visibilidade mundial, e dependem muito de seu rendimento caseiro e Green Book não foge a regra. Com Orçamento de US$ 23 milhões, apesar do seu alto reconhecimento, o filme só conseguiu até agora US$ 20 Milhões e provavelmente só vai conseguir se pagar. A duas melhores cenas do filme estão, logo no início, quando são obrigados a parar em frente a um campo onde estava sendo feito uma colheita por trabalhadores de cor, e a outra quase no final do filme, quando um policial para o carro no meio de uma nevasca. Ambos são de quebrar tabus.

Curiosidades: Uma controvérsia ocorreu quando, em 7 de novembro de 2018, durante um painel de discussão para promover o filme, Mortensen proferiu a palavra “nigger”. No dia seguinte, Mortensen pediu desculpas, afirmando: “Apesar da minha intenção de ser extremamente contra qualquer idéia racista, e não tenho o direito de imaginar a dor que é causada por quem ouve esta palavra em qualquer contexto, especialmente por ser um homem branco. Eu não uso esta palavra em ambientes públicos ou privados. Sinto muito por ter usado na noite passada, e sequer farei novamente.”

No Metacritic, o filme conta com uma nota de 70 de 100, baseada em 44 críticas que indicam análises favoráveis. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme tem uma aprovação de 82%, baseada em 175 análises, e uma avaliação média de 7,7/10. Segundo o consenso do portal, “Green Book leva o público a um passeio surpreendentemente tranqüilo através de temas possivelmente turbulentos, alimentados pelo toque hábil de Peter Farrelly e um par de atores bem selecionados.” Barry Hertz, do jornal canadense The Globe and Mail, afirmou: “O filme de Farrelly é válido de ser assistido, especialmente tendo em conta que agora está praticamente destinado a dominar a temporada de premiações. Mas faça um favor a si mesmo: cada vez que seus colegas de cinema baterem palmas, pergunte a quem é que eles estão batendo palmas.” Ann Honarday, do The Washington Post, escreveu: “De forma vantajosa, Green Book coloca dois dos melhores atores do cinema trabalhado em um Cadillac turquesa, deixando-os livres em uma dinâmica cinematográfica divertida, que se move rapidamente repleta de amor, arte e alma.”

Mick LaSalle, do San Francisco Chronicle, atribuiu nota máxima ao filme, dizendo: “há algo profundamente certo sobre esse filme, tão fiel ao tempo retratado e tão bem-vindo neste momento: é leve em seu toque, respeitoso em seu personagens e grande em seu espírito de brilhar.” Andy Howell, do site Film Threat, avaliou: “Green Book é, de fato, um filme publicamente agradável — além das brincadeiras entre os personagens de ideários opostos, existem, claramente, heróis e vilões. Os roteiristas conseguem fazer nuances, especialmente ao discutirem a incompatibilidade de Shirley nas comunidades brancas e negras.” Johnny Oleksinski, do New York Post, afirmou: “O drama jovial sobre uma viagem de dois homens — um branco e um negro — é infalivelmente otimista.”Para o USA Today, Brian Truitt escreveu: “[Green Book] é uma aula magna que coloca Viggo Mortensen e Mahershala Ali a impulsionar esse trabalho comovente e muitos vezes hilários, dando-lhe um apelo público.”

Gren Book arrecadou US$ 312.000 após exibições em 25 cinemas na semana de abertura, com média de US$ 12.480 por local; segundo o Deadline.com, “não foi uma boa abertura”. O site de entretenimento TheWrap afirmou, no entanto, que foi uma “abertura bem-sucedida”, observando que o frenesi ajudaria a incrementar a bilheteria do filme mundialmente. Seguidamente, o filme teve impulsionamento de exibição ao lado de Ralph Breaks the Internet, Robin Hood e Creed II, e foi projetado para arrecadar cerca de US$ 7 a 9 milhões durante o fim de semana, de 21 de novembro a 25 de novembro. Por outro lado, arrecadou US$ 908.000 no primeiro dia, US$ 1 milhão no segundo e US$ 5,4 milhões no fim de semana, terminando no nono lugar entre os filmes mais assistidos do período. O prazo final dizia que a abertura “estava longe de ser considerado um sucesso”, e que o frenesi e as indicações recorrentes a prêmios seriam necessárias para ajudar o filme a aumentar os valores de bilheteria. Estúdios rivais argumentaram que a Universal Studios havia ido longe demais, com exibições de 25 cinemas para 1.063 em menos de uma semana. No segundo final de semana, o filme faturou US$ 3,9 milhões, caindo apenas 29% e levando algumas pessoas do meio a acreditar que o filme poderia chegar a US$ 50 milhões durante a temporada de premiações. No terceiro fim de semana, imbuído das nomeações ao Globo de Ouro e de uma massiva divulgação, não houve queda e novamente faturou US$ 3,9 milhões.

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