Entrevista com Deus: filme emocionante sobre o verdadeiro amor de Deus por seus filhos. - NoSet
Cinema

Entrevista com Deus: filme emocionante sobre o verdadeiro amor de Deus por seus filhos.

Muitos foram os filmes que abordaram um dos maiores desejos de todos os humanos: falar com Deus. Não importa qual seja seu credo, o fato é que um indivíduo cuja crença esteja baseada na existência de uma divindade tem, por consequência, questionamentos a essa mesma divindade. Disse que houve outros filmes (competentes) com essa premissa – O Todo-Poderoso e A Cabana são bons exemplos -, porém é válido frisar que Entrevista com Deus (An interview with God) tem um grande diferencial em comparação com os outros ao mostrar um Deus que luta pela alma de um filho.

A história.

O roteiro nos apresenta imediatamente ao repórter fotográfico de guerra Paul Asher (Brenton Thwaites). Brenton é um homem de sucesso em sua carreira e tem prestígio no trabalho. Ele mora com a esposa Sarah (Yael Grobglas) e há algo errado no relacionamento deles. Com base nesse problema, seguimos a acompanhar o casal, mas nada é revelado sobre a verdade por trás do conflito familiar.

A trama prossegue e nos mostra Brenton em uma estranha entrevista. O homem escolhido para entrevistar não é uma celebridade ou um ex-combatente. Na verdade, seu entrevistado é ninguém menos que Deus, o Criador em pessoa (interpretado pelo competente David Strathairn).

A cada entrevista aumenta a desconfiança do repórter sobre a verdade na história daquele homem que se diz Deus. Brenton tenta, mas sua mente não consegue se afastar das palavras mansas e cheias de conteúdo daquele senhor que pode ser qualquer um, inclusive o Criador.

Parábolas.

Desde o primeiro segundo ao lado de “Deus”, Brenton começa a enxergar pequenos sinais. Não é nada que seja perceptível ou gritante. Certamente é o resultado de palavras unidas a fatos isolados. O fato é que na mente dele, as coisas ganham gradualmente um ar divino.

Em toda entrevista (foram três sessões agendadas), Deus mostra algo a Brenton. Coincidência ou não, o fato é que as localidades escolhidas remetem a algo da vida do repórter. Coincidência ou não, as palavras e ensinamentos de Deus refletem momentos da vida do jovem e isso o afeta de uma forma inesperada.

Aos poucos o sarcasmo do repórter vai de encontro ao jeito pacífico/paciente de Deus. Ele tenta confrontar para achar algo equivocado, uma mentira. Conforme o tempo passa e as coisas não são solucionadas, mais aumenta seu temor de estar realmente falando com Deus e, pior ainda, estar travando um debate/confronto com Ele.

Ao tentar compreender as ações de Brenton é temos a nítida impressão de que também agiríamos com desconfiança. Quantos teriam dúvidas diante de Deus? Creio que a esmagadora maioria…

O que perguntar a Deus?

Essa é uma questão que paira na mente dos que creem em um Deus. O que perguntar? Como pedir sem parecer mesquinho? Será que meu passado é um decreto de condenação? São infinitas as perguntas que poderíamos fazer ao estarmos no lugar do repórter. A principal delas estão presentes no longa-metragem: “por que não “cura” o mundo?” e “Você existe?”

Em alguns pontos percebemos que é possível compreender os ateus. Deus não dá sinais visíveis a seus fiéis, não fala por meio de plantas em chamas ou envia um homem para por Ele falar. Há incontáveis religiões que não cumprem com o mínimo daquilo que esperamos, isto é, religar o homem ao Deus que hoje parece tão distante.

Temos milhares de perguntas a Deus e as fazemos em nossos pensamentos, preces e pedidos. Ser mortal é algo ainda questionável, mas será que existe mesmo um mundo imortal onde nossa alma viverá para sempre?

Frente a frente com o responsável por tudo de bom e ruim que aconteceu em nossa vida (não é assim que todos pensam?), surgem as mais variadas perguntas. Por fim resta a dúvida: será que ouvir as respostas será algo bom?

Nosso destino.

Somos senhores de nosso destino. O que fazemos reflete em algo bom ou ruim. Logo, cabe a nós (e a mais ninguém) as decisões que comporão nosso caminho nessa Terra.

Entrevista com Deus tem um pouco disso em sua abordagem, pois é impossível falar do Criador sem citar sua mais polêmica criação: o livre-arbítrio. O que levou Deus a nos conceder algo que nos dá liberdade para fazermos o que é bom e, em contrapartida, o que é mal, extremamente mal? Essa resposta está presente na obra e de uma forma bem convincente.

Ser o condutor do seu próprio destino não é o mesmo que dizer que irá conduzi-lo bem…

Um roteiro convincente.

A trama é conduzida por intermédio da entrevista e dos detalhes que essa entrevista revela. Só que isso não é tudo. Há alguns pontos interessantíssimos na história que dão maior amplitude ao trabalho do roteirista Ken Aguado. Um dos pontos interessantes está no apoio que Brenton recebe no trabalho por parte de um grande amigo e chefe, Gary (Hill Harper), um homem que tem uma fé e um passado que o ajudam a compreender o presente do repórter. Em paralelo a isso, o jovem repórter vive um conturbado relacionamento com a bela Sarah, mas há algo em seu passado que a leva a tomar uma decisão drástica.

Diante de uma entrevista que o deixa cada vez mais confuso, cheio de problemas com a esposa e tudo isso afetando seu trabalho, podemos dizer que a vida de Brenton não está fácil.

Também podemos dizer que não há nada que não possa piorar.

Ao final de Entrevista com Deus, restará uma certeza: a de que realmente Deus escreve certo por linhas tortas. A outra certeza é a de que valeu – e muito – assistir a uma obra cujo tema vai além da espiritualidade, um filme cuja abordagem respeita as crenças e se mostra muito mais do que um simples filme que receberá a alcunha de “gospel”.

Literalmente é ver para crer. E por falar em crer, prestem atenção a todos os detalhes do filme. Eles são muito interessantes.

 

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