Crítica: Um Perfil para Dois - NoSet
Cinema

Crítica: Um Perfil para Dois

Um Perfil para Dois [Un profil pour deux] é uma típica e boa comédia francesa. Não nos leva às lágrimas de riso em nenhum momento, mas nos deixa com um sorriso irônico no rosto em boa parte do tempo. E você sai do cinema sentindo-se melhor do que entrou.

Alex, interpretado por Yannis Lespert, é o estereótipo de uma classe cada vez mais numerosa: jovens que chegam na casa dos trinta anos sem emprego e vivem às custas de outros. Alex, ao menos, tem uma ideia do que quer ser: escritor. Ele ajuda Juliette (Stéphanie Crayencour), bêbada, na saída de uma festa e acaba namorando com ela. Semanas depois, já estão morando juntos na casa da sogra Sylvie (Stéphane Bissot), que não se conforma com o genro desempregado e sem iniciativa.

Sylvie arranja, então, um emprego para Alex – dar aulas de informática ao pai dela, Pierre (Pierre Richard), que não sai de casa há dois anos, deprimido com a morte da sua esposa.

Tudo isso ocorre de forma ágil, em pouco mais de quinze minutos de filme, a fim de dar espaço para a verdadeira história a ser contada – o relacionamento de Alex, o jovem perdido e sem entusiasmo, e Pierre, o octogenário que apenas aguarda a visita da morte.

Em certo momento do filme, fiquei incomodado com a atuação de Yannis Lespert, que parecia não reagir ao que ocorria ao seu redor. Percebi, então, que esse era exatamente o efeito que queria imprimir ao personagem. Já Pierre Richard, um veterano ator francês, está perfeito em seu papel de agorafóbico desesperançado e com um fraco por bebida.

Com a instalação do computador na casa de Pierre, abriu-se para ele uma janela ao mundo. E, nela, vê a possibilidade de companhia. Acaba se inscrevendo em um site de relacionamento, com a foto de Alex, e mantendo um relacionamento virtual com Flora (a deslumbrante Fanny Valette), uma fisioterapeuta belga, linda e sensível. O relacionamento transcorre bem, até que Flora insiste em encontrar Pierre.

A história, nesse ponto, tangencia a peça clássica Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostan. Alex encarna Pierre em encontros com Flora, que é enganada e se apaixona pela simbiose dos dois.

O roteiro desliza perto do absurdo, mas se sustenta pela humanidade dos personagens e pelas interpretações. O diretor Stéphane Robelin dá ao filme um bom ritmo. Nem rápido demais, forçando-o à superficialidade, nem lento demais, aproximando-o da chatice.

O resultado é uma comédia romântica inteligente, que lida com temas caros, como a falta de objetivos na vida, a depressão, a solidão e a importância do amor e da companhia para dar sentido à vida.

Direção: Stéphane Robelin

Elenco: Pierre Richard, Yaniss Lespert, Fanny Valette

Sinopse: Pierre (Pierre Richard) é um viúvo aposentado que não sai de casa há mais de dois anos, e agora tem a chance de voltar a viver novamente com a ajuda da internet. Isso porque através de Alex, um homem contratado por sua filha para ensiná-lo a usar o computador, acaba criando um perfil em um site de namoro. Lá, conhece a linda jovem Flora (Fanny Valette), e decide marcar um encontro. Mas ele só tem uma problema: a foto que usou no perfil é de Alex, e não dele.

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