Crítica: A Qualquer Custo de David Mackenzie (2017) - NoSet
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Crítica: A Qualquer Custo de David Mackenzie (2017)

Quando o filme começa a tendência de pensar “puts, mais um filme clichê vem aí” é inevitável.  ‘A Qualquer Custo’ conta a história de dois irmãos que viajam pelo Texas fazendo pequenos assaltos a banco, até que um Xerife prestes a se aposentar recebe o caso para resolver.

Sendo o último caso da carreira do Xerife, já é de se imaginar que em algum momento ele vai ser morto por um dos irmãos, provavelmente o mais bonzinho, aquele que nunca quis matar ninguém mas precisou fazer isso para salvar o irmão mais malvado que, por terem acabado de brigar, bebeu demais e entrou numa enrascada da pesada envolvendo muitos policiais.

Talvez seja isso mesmo que aconteça nesse road thriller do diretor britânico David Mackenzie (que é conhecido principalmente pelo seu trabalho no filme “Sentidos do Amor” de 2011), longe de mim querer dar algum spoiler. Se a primeira impressão durante a apresentação dos personagens é de um filme previsível que já vimos tantas vezes, naquele canal on demand, quando escolhemos  um filme para agradar toda a família.  A próxima meia hora de filme mostra que quem teve essa primeira impressão estava redondamente enganado.

Com roteiro de Taylor Sheridan, responsável pelo script de ‘Sicário: Terra de Ninguém’, dirigido pelo novo queridinho dos amantes do espaço sideral, Denis Villeneuve. Os personagens acabam com uma boa dose de  complexidade durante a narrativa e, levando em conta a storyline clichê cedida por algum produtor idoso cheio da grana da Lionsgate, Sheridan tira leite de pedra e faz uma grande história desse “faroeste moderno”.

O filme ganhou certa notoriedade do público por conta de suas 3 indicações ao Globo de Ouro desse ano (Não esqueçam de conferir a cobertura da premiação aqui no Noset), entre elas está a de roteiro que está mais do que justificada. Outra é de melhor drama, mas que certamente fica atrás de filmes mais premiados no fim do ano estadunidense como ‘Manchester à beira-mar’ do diretor e roteirista Kenneth Logan (responsável pelo roteiro de Gangues de Nova York, do titio Scorsese) ou ‘Até O Último Homem’ (mais um filme sobre a segunda guerra mundial, dirigido pelo galã de outrora Mel Gibson)

Agora, a terceira indicação é como ator coadjuvante para Jeff Bridges, o Xerife prestes a se aposentar citado ali em cima, que concorre pela segunda vez o prêmio.

Jeff Bridges já conquistou o Globo de Ouro em 2010 por ‘Coração Louco’. Mas como protagonista.

Agora parece um bom momento para ressaltar as boas atuações desse filme. Não só a de Jeff Bridges no papel de xerifão caipira do meio-oeste estadunidense. Mas também de Gil Birminigham, que como Billy Black na saga Crepúsculo talvez não mostrou para o que veio nesse mundo, mas como o parceiro de Bridges na pele de Alberto Parker formou uma das melhores duplas que eu vi no cinema nos últimos meses.

A relação dos dois protagonistas também não fica pra trás. [risca]O eterno Capitão Kirk da geração Millenials [/risca] Chris Pine e seu irmão mais velho vivido por Ben Foster (o não tão eterno assim Anjo de X-Men 3: O Confronto Final) arranca algumas risadas na sessão de cinema e mostra uma química monstruosa entre os dois atores; o que facilita os diálogos e piadas pontuais inseridas por Sheridan no filme.

Outro ponto extremamente positivo da película (e já que estamos falando de premiação, deveria estar concorrendo ao Globo de Ouro também) é a trilha sonora de ‘A Qualquer Custo’, composta pelos músicos Nick Cave e Warren Ellis, que também já fizeram parceria em outro filme muito interessante do gênero (O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford). A trilha ambienta demais o filme na região interiorana dos Estados Unidos e emociona com a linda música ‘Outlaw State of Mind’ de Chris Stapleton, enquanto sobe os créditos na sala de cinema.

Apesar das indicações, o filme não tem fôlego para chegar ao Oscar, mas é uma película interessante de ser conferida nas salas de cinema.

Nota 8,0 de 10

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