Crítica: Logan (2017) | O fim de um ícone da Marvel nos cinemas. - NoSet
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Crítica: Logan (2017) | O fim de um ícone da Marvel nos cinemas.

Por fim, a espera está prestes a findar. Após 17 anos interpretando o mesmo personagem no cinema e completando (com este) o total de três filmes solo, eis que Hugh Jackman retorna como o famoso Wolverine. O super-herói das HQs da Marvel chega em circuito brasileiro no próximo dia 2. Logan é uma obra dirigida por James Mangold (Wolverine: Imortal) e que promete emocionar tanto aos fãs dos quadrinhos quanto das produções cinematográficas em si, visto que esta será a última vez do ator principal na pele do mutante. No elenco temos ainda Patrick Stewart reprisando o seu papel dos filmes X-Men e novas adições, como a de Boyd Holbrook (Nathaniel Essex/Sr. Sinistro), Richard E. Grant (Zander Rice), Stephen Merchant (Caliban) e a atriz mirim Dafne Keen (Laura Howlett. Nós já o conferimos e o resultado é sensacional! Confira:

Na história, que se passa em 2029, Logan ganha a vida como chofer de limousine, para cuidar do nonagenário Charles Xavier. Debilitado fisicamente e esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela, uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men. Ao mesmo tempo em que ele se recusa a voltar à ativa, Logan é confrontado por um mercenário, Donald Pierce, interessado na menina Laura Kinney / X-23, sob a guarda de Gabriela. A partir daí, é só “tiro, pancada e bomba”, por assim dizer. O bom dessa terceira parte – após uma boa de uma embaralhada que o universo dos X-Men enfrentou – é que o mutante finalmente age segundo o que os fãs esperavam, com um aumento significativo de violência e palavrões, quase que no nível de Deadpool. Em termos de atuações, todas estão ótimas, não há o que criticar, apenas sentar e observar tamanho talento por parte do elenco escalado.

Desde a cena inicial, o espectador é apresentado a um futuro distópico, onde os mutantes jovens que estávamos acostumados a ver deixaram de nascer e os poucos que restaram são perseguidos pelo governo. Então toda aquele embate que a sociedade sofreu para aceitar estes ditos “seres especiais” já não é mais visto aqui. Além disso, não é de hoje que as pessoas têm clamado por um filme  Wolverine com a classificação Rated R (que no Brasil é algo semelhante a classificação indicativa para maiores de 18 anos ou jovens acompanhados de adultos responsáveis), desde quando o herói estalou as garras pela primeira vez, há dezessete anos atrás. Embora tenha havido gostos pequenos de um filme solo do mesmo – notado principalmente através dos cortes do diretor que Wolverine: Imortal passou –, foram necessários oito filmes para finalmente dar aos fãs o que eles querem. Se a pergunta que você estiver fazendo é “será que valeu a pena esperar?”, a resposta é: absolutamente!

Logo, fica claro que o diretor James Mangold não está de brincadeira no que diz respeito à linguagem imprópria, visto que a primeira palavra dita na fita é “f**k”, seguida por um combate sanguinário entre o protagonista e capangas que roubaram o seu carro. Pense bem: o que aconteceria a um corpo se um homem com garras maciças o atacasse? Entre poucas e boas, as icônicas garras de adamantium são comparadas ao Freddy Krueger em um pesadelo, onde ele ataca brutalmente suas vítimas com garras. O que acompanhamos em questão é um roteiro que apesar de não lembrar a todo o momento as histórias em quadrinho, é bem conduzido. Ambientado num mundo pós-apocalíptico, ele procura focar bastante no estado de espírito de Wolverine, decaído e negativo, onde sua própria ligação com Charles Xavier é um aspecto relevante abordado pela trama. O efeito que essas ações trazem, por conseguinte, termina por ser notável.

Ademais, este é um capítulo da história de Wolverine que segundo Jackman, durante anos ele queria fazer uma entrada no gênero adulto de super-heróis sem remorso. O CGI, em particular do sangue gráfico, faz parte do contexto e não choca da mesma forma que outros filmes de ação, apesar de estar sempre ali, prestes a ser exibido e com os efeitos sonoros de quando a lâmina é perfurada na pele humana. A contagem é realmente enorme e por incrível que pareça, nem todas as vítimas dele são vilões. Dessa forma, o enredo trata de um mundo totalmente novo e deveras escuro que Logan habita, cujo qual ainda assim, vemos os ataques do intérprete e sua pequena companheira de maneira impactante, mas velada.

Agora, se de fato esta é a última vez de Jackman como Logan, ele tomou uma decisão sábia. Não obstante a hype recente, este é o seu melhor desempenho no papel até hoje, pois está inteiramente selvagem. Conquanto, em uma concessão à mortalidade do personagem, o físico foi meio que atenuado. Entretanto, o astro se joga nas cenas de ação e também aproveita ao máximo a ideia abordada pelo diretor. Com um conceito um tanto moderno, as intenções de Mangold são explícitas pela forma como ele utiliza inclusive uma referência a Shane, clássico de 1953, em uma cena específica na qual o professor Xavier, interpretado pelo ótimo Patrick Stewart e a nova integrante da “dupla dinâmica” (ou melhor, agora “trio parada dura”), Laura Kinney/X-23, estão em um quarto de hotel observando trechos de Os Brutos Também Amam passarem na TV. Aliás, falando sobre a nova atriz, que menina prodígio! Nossa, ela está fantástica roubando a cena como a mini-mutante e merece destaque pela sua fantástica e feroz performance! Será que só eu lembrei da atriz Mélanie Laurent ao avistá-la? Tudo bem, qualquer semelhança é mera coincidência, porém a garota com certeza tem um futuro brilhante pela frente. Outrossim, com um jogo de câmeras excepcional, montado por John Mathieson (O Agente da U.N.C.L.E) e a trilha sonora comandada por Marco Beltrami (Guerra Mundial Z), o fato é que cabeças rolam, literalmente.

Tendo em vista os detalhes mencionados, Logan fecha com chave de ouro a saga de uma lenda nos cinemas, com um roteiro forte, que também foi escrito por James Mangold. Outro ponto positivo é que do primeiro ao terceiro ato ficamos vidrados com a maioria dos instantes, desde os que contém somente diálogos até os mais radicais. Portanto, devido ao rumo inesperado que os eventos tomam, não é por acaso que a cena final vai deixar aquele “gostinho de quero mais”, seja a quem é o fã mais devoto da Terra como para quem assim não o for. Vai deixar saudades, sem dúvidas!

Título Original: Logan
Direção: James Mangold
Duração: 137 minutos
Nota:

Confira o trailer abaixo:

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