Crítica: It - A Coisa (2017) | Um reboot aterrorizante, que te fará "flutuar" aos cinemas! - NoSet
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Crítica: It – A Coisa (2017) | Um reboot aterrorizante, que te fará “flutuar” aos cinemas!

Todo mundo tem medo de alguma coisa. De aranhas, do Alfie o Eteimoso, da Samara, do fofão, da zebrinha do fantástico ou, de palhaços. A questão é que qualquer um de nós está (ou pelo menos esteve) sujeito à estas estranhas fobias, seja na infância ou na fase adulta. Em It – A Coisa, novo filme de terror que estreia amanhã nos cinemas de todo o Brasil, temos este conceito embasado no enredo. O longa, dirigido por Andy Muschietti (Mama), possui uma trama cujo princípio parte da ideia fictícia (porém macabra) de que alguns dos nossos piores temores podem até não passar de pura ilusão da mente, mas isso não quer dizer que deixaremos de ser assombrados por eles ao longo da vida. E aí? Você faz parte do time que tem medo de palhaço? Então aconselho a todos os leitores que encontrem coragem nos lugares mais improváveis e não percam por esperar em conferir este ótimo e nefasto reboot do livro homônimo de Stephen King, cuja minissérie de 1990 marcou uma geração!

Na história, um grupo de sete adolescentes enfrenta seus maiores medos quando tentam descobrir a causa do desaparecimento de várias crianças em sua cidade natal, Derry. Eles, que foram o auto-intitulado “Losers Club – o clube dos perdedores, acabam se deparando com uma força maligna em forma de palhaço, chamado Pennywise, cujo histórico de mortes e violência se repetem há séculos.

Primeiro de tudo, admito que nunca li o livro (até tive vontade uma vez, só que ao lembrar que é 1000 páginas, já o retirei da estante de prioridades). Entretanto, creio que esta nova versão supera com certeza a minissérie dos anos 90! O diretor conseguiu fazer com que um reboot (cujos efeitos da época eram risíveis) se tornar um terror infanto-juvenil bastante tenso, com sustos bem elaborados e sem tanta imprevisibilidade. Desse modo, o roteiro é plausível e procura fugir do velho clichê, o que contribui fortemente pra que a obra contenha mais acertos do que erros. No que condiz à aparência do palhaço Pennywise, ele está mega sinistro, e todos os segredos pra lá de ocultos de sua antiga origem são revelados aos poucos, sem deixar pontas soltas pra plateia. Além disso, algo que me chamou a atenção foi o fato da versão anterior ser de 1990 e esta aqui ter sido lançada em 2017. Em outras palavras, segundo o autor do livro, a criatura maligna que assume a forma de palhaço acorda a cada 27 anos. Notou a estratégia? Interessante.

Inclusive, a trilha sonora também foi um ponto positivo, porque é envolvente, cheia de clássicos dos anos 80/90 e contou com boas faixas instrumentais compostas por Benjamin Wallfisch (A Cura). Apesar de que, ao mesmo tempo em que serão controversas para alguns cinéfilos (sim, há uma divisão das músicas de gêneros opostos em instantes indevidos), as mesmas não deixam de ser assustadoras e ainda por cima fazem referências a inúmeros outros longas do gênero de horror. Com relação às performances, quão ótimas foram as atuações das crianças, hein? Em minha opinião, o elenco está de parabéns e merece todo o destaque, pois foi muito bem escalado, com os atores mirins incorporando personagens seguros. Aliás, não sei por que, mas senti uma leve vibe de Stranger Things ao ver aqueles adolescentes andando de bicicleta no meio daquele cenário de anos 80. Percebi ainda que a personagem Gretta (interpretada pela atriz Megan Charpentier), já trabalhou com o diretor em Mama, como a personagem Victoria; sutil coincidência, não acham?

Desse modo, a obra é realmente extraordinária, ainda que pouco assustadora aos mais fortes. A atenção aos detalhes, o som imperceptível, mas eficaz, e a cinematografia requintada, são elementos que não só fazem o título original orgulhoso, como também tornam esta readaptação do clássico original ainda melhor que o seu antecessor. Então muito do que torna a película apavorante é a filmagem esguia e o jogo de sombras intrincadas utilizado pela ótima fotografia, bem como o uso da iluminação e da criação da atmosfera sombria; são aspectos que fazem deste filme uma obra tão tensa. Por isso, diria que ele é perfeitamente adequado para aqueles que gostam de filmes nesse estilo, no entanto sem o gore exacerbado. Será sem sombra de dúvidas uma adição terrivelmente boa ao gênero do horror, independente do fato de o cineasta ter tido a capacidade de mesclar drama e terror.

Logo, pra falar bem a verdade, não notei tantos aspectos negativos ao longo da película (exceto pequenos deslizes que quase todo filme de terror comete, de um jeito ou de outro). Agora, ressaltando a questão do gore, os produtores não poderiam deixar de inserir aquela dose caprichada durante suas 2 horas e 15 minutos de projeção, com o puro e simples intuito de a gente sentir um calafrio a mais no corpo. E sobre o desfecho, o mesmo é deveras interessante, uma vez que a tal “promessa de sangue” deixa um gostinho de “quero mais”, dentro de todos nós, espectadores, digamos assim. Portanto, recomendo que você, caro leitor do NoSet, não deixe de conferi-lo o quanto antes, pois a experiência nas telonas compensa! Se tem uma coisa que It não fez foi decair ao nível da chatice e do esquecimento futuro, muito menos falhou em desviar a atenção do público com seu enredo maquiavélico. Sendo assim, já estou no aguardo da parte 2. Indicado!

Título Original: It
Direção: Andy Muschietti
Duração: 135 minutos
Nota:

Assista ao trailer:

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