Crítica: Doris, Redescobrindo o Amor (Hello, My Name Is Doris) - NoSet
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Crítica: Doris, Redescobrindo o Amor (Hello, My Name Is Doris)

Antes de começar a falar sobre o filme, eu me sinto na obrigação de falar sobre Sally Field. O que falar sobre a mãe de Forrest Gump, uma mulher forte na TV e no cinema, cantora, produtora, roteirista, diretora e atriz? Ganhadora do prêmio Emmy de melhor atriz em telefilme (por Sybil, de 1976), venceu duas vezes o Oscar de melhor atriz pelos filmes Norma Rae, de 1979, e Um lugar no coração, de 1984. Ambos os filmes renderam o Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático na época. Ela voltou a ser indicada tanto ao Oscar e ao Globo de Ouro em 2013 pela belíssima atuação no filme Lincoln (2012) de Steven Spielberg. Fez grandes papéis em alguns filmes: Agarra-me se puderes, Ausência de malícia, Flores de aço, Nunca sem minha filha, Uma babá quase perfeita, Forrest Gump – O contador de histórias, O espetacular Homem-Aranha 1 e 2, até chegar a Doris, Redescobrindo o Amor.

“Doris (Sally Field) já passou dos 60 anos de idade, mas ainda leva uma vida entediante no escritório onde trabalha. Ela desenvolve uma verdadeira obsessão por um colega mais jovem (Max Greenfield). Após participar de um seminário de autoajuda, Doris está determinada a tentar um romance com seu pretendente”.

Hollywood não precisa mostrar apenas jovens bonitos tentando ser atores ou atrizes. Há espaço para todos e não podemos limitar a velha guarda. Acho uma falta de respeito dos críticos que desmereceram  Sally Field por interpretar a Doris ao afirmarem que é patético uma velha tentar conquistar um rapaz jovem. Talvez esta pessoa não saiba o que realmente é a paixão! Paixão à primeira vista, gostar de alguém, querer o bem e estar próximo daquela pessoa. O amor verdadeiro não tem idade, cor, credo e muito menos gênero. Quem nunca teve sua primeira paixão na infância que atire a primeira pedra!

Dirigido por Michael Showalter, ele narra a história e consegue manter o ritmo misturando o drama e a comédia nas diversas situações que ocorrem na vida de Doris. A atriz veterana Sally Field, com 69 anos está muito bem como Doris Miller, uma contadora de uma agência de publicidade que só tem seu emprego devido a “cota” e à brecha da lei que obriga a empresa a manter alguns funcionários da terceira idade. Sua casa mais parece um brechó de tantas “tralhas” colecionadas por ela e por sua falecida mãe. O papel se encaixa perfeitamente para Field que demonstra não ter pedido o timing da comédia. As mudanças de Doris acontecem da noite para o dia, em um final de semana ela perde sua mãe. No enterro, ela sofre pressão de familiares para vender a sua casa e as “tralhas” para dividir como herança. Ao chegar ao elevador do prédio onde ela trabalha, dá de cara com John (Max Greenfield). Ele é bonito e uma espécie de guru de autoajuda; aí vem aquela paixão louca de adolescente e ela redescobre os prazeres da vida.

O filme fala sobre isto: reviver, redescobrir uma nova maneira de amar sua atual vida. É juvenil e cativante ver sua mãe, tia ou amiga de certa idade redescobrindo um filme, livro, a tecnologia, e por que não o amor? De início você se pergunta, será que Doris vai conseguir conquistar o jovem John, com seus 35 anos e um corpo definido e, detalhe, seu mais novo colega de trabalho? Para alguns pode parecer impossível e até ridícula a situação, mas vemos o inverso em outros filmes: senhores pegando as “novinhas” – e isto pode? Então abra seu coração preconceituoso e venha se divertir com a estabanada Doris. Não estou falando que o filme é uma obra prima; no longa temos um bom trabalho retratando a mulher de meia idade que sofre por ter sua dedicação à mãe e, consequentemente, por pegar os velhos hábitos dela, bem como o preconceito com a terceira idade no trabalho, mostrando os problemas que podemos ter se ficarmos parados. Porém, se você correr atrás de novas coisas, seja na música, arte ou um tapa na cara chamado de amor, talvez você acorde.

Uma coisa Doris Milles não percebe: esta paixão de adolescente, por mais que seja improvável que seja por ter algumas barreiras, pode ser empurrada pelas suas emoções para redescobrir uma nova forma de viver. Quero a Doris Miller como minha amiga.

É uma ótima comédia que nos demonstra que erramos. Não importa a idade, sempre vamos fazer coisas burras, infantis e imaturas para conquistar uma paixão mas, ao chegar na terceira idade, nunca se entregue à idade, à velhice; teremos corpos flácidos, enrugados, mas por dentro podemos e devemos continuar jovens. Com este filme refleti: quando eu chegar na terceira idade serei um “morto” por não saber fazer as mesmas coisas que faço atualmente no trabalho? Não vou poder cuidar da minha mulher e trocar idéias sobre as novas tendências? Claro que tudo isto só depende de mim mesmo. Enfim, assistam ao filme! Boas risadas e Sally Field está com corpo lindo; fica a dica!

Titulo Original: Hello, My Name Is Doris (Doris, Redescobrindo o Amor).
País: EUA
Gênero: Comédia
Direção: Michael Showalter
Roteiro: Laura Terruso, Michael Showalter
Elenco: Sally Field, Max Greenfield, Beth Behrs, Wendi McLendon-Covey, Stephen Root, Elizabeth Reaser, Isabella Acres, Kyle Mooney, Natasha Lyonne, Kumail Nanjiani, Caroline Aaron, Tyne Daly, Peter Gallagher, Rebecca Wisocky, Amy Okuda.
Duração: 1h 35 Min.
Lançamento: 2016

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