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Crítica: Como se Tornar um Conquistador

A cena de abertura de Como se Tornar um Conquistador (How to Be a Latin Lover) é brilhante. Ela faz você acreditar que você verá uma ótima comédia de humor negro. Descontados estes cinco primeiros minutos, os restantes cento e dez não entregam tudo o que o início prometeu.

O personagem principal, Máximo, interpretado por Eugenio Derbez, sofre um trauma com a morte prematura do seu pai, um homem que dedicou a vida ao trabalho. Decide, então, que será rico sem trabalhar. Torna-se um gigolô. Ainda jovem e bonito, seduz e casa com Peggy (Renée Taylor), uma mulher milionária, que já havia passado dos sessenta anos de idade e que estava com a saúde debilitada.

Há um corte para vinte e cinco anos depois. Peggy, inesperadamente, ainda goza de boa saúde e Máximo leva uma vida de luxo e ócio, embora não ostente mais a velha forma física. A reviravolta ocorre quando Peggy se apaixona por um jovem vendedor de carros e expulsa Máximo da mansão, sem bens ou dinheiro.

O roteiro usa a (batida) fórmula do protagonista muito rico, que se vê subitamente pobre. Máximo é forçado a ir morar com a irmã Sara (Salma Hayek), que não via há mais de dez anos, e com o seu sobrinho Hugo (Raphael Alejandro). A partir daí, parte na busca de uma nova esposa, que possa lhe custear o estilo de vida. A escolhida é Celeste (Raquel Welch, linda, nos seus glamorosos 78 anos), avó de uma das colegas de Hugo na escola. Participam da trama, ainda, Rob Lowe, como Rick, um amigo de Máximo e companheiro gigolô, que garante alguns dos bons momentos do filme, e Cindy (Kristen Bell), uma acumuladora de gatos quase engraçada.

O filme não se define entre ser uma paródia, um pastelão ou uma comédia de humor negro. Seus melhores momentos são quando resvala para o politicamente incorreto. Aliás, a minha impressão é que o roteiro foi “suavizado”, para não agredir parte do público e garantir a audiência. O resultado dessa mistura é confuso e não provoca o número mínimo de risadas, mesmo aquelas com somente um dos cantos da boca, estipulado no contrato imaginário de quem vai ao cinema assistir à uma comédia. Quase chega no número, mas não chega.

Outro problema do filme é a sua extensão. Uma hora e cinquenta e cinco minutos é tempo demais para história de menos. Talvez, se fosse concentrado em 70 ou 80 minutos, o resultado fosse melhor.

Como se Tornar um Conquistador pretende lançar, no cenário de Holywood, o ator Eugenio Derbez, já conhecido no meio televisivo mexicano e que vem de um grande sucesso no cinema (falado em língua espanhola): Não Aceitamos Devoluções [No se aceptan devoluciones]. Este é o seu primeiro papel em inglês. Há potencial em Eugenio Derbez. Veremos se ele vai se desenvolver esse talento em seus próximos filmes, começando por ser mais seletivo com os roteiros.

 

A produção de Como se Tornar um Conquistador é uma união da Lionsgate americana com a mexicana Televisa. O filme tinha como foco o mercado latino nos Estados Unidos. A aposta deu certo. A produção custou modestos dez milhões de dólares, tendo faturado, até agora, quase o sêxtuplo disso.

Em resumo, Como se Tornar um Conquistador é uma comédia longa, confusa quanto à sua identidade, mas que tem momentos engraçados.

Ficha técnica:

Título Original: How To Be a Latin Lover

Direção: Ken Marino

Roteiro: Jon Zack, Chris Spain

Elenco: Eugenio Derbez, Salma Hayek, Rob Lowe, Raphael Alejandro, Kristen Bell, Michael Cera

Gênero: Comédia

Classificação: a definir

Sinopse: “Como Se Tornar um Conquistador” conta a engraçada e divertida história do sexy e sedutor Maximo (Eugenio Derbez) que tem o sonho de ser um milionário, mas sem levantar um dedo. Para isso, ele passa a conquistar mulheres muito ricas e glamurosas. Ele então se casa com uma mulher rica e 25 anos depois ele é trocado por um homem muito mais jovem e é forçado a morar com sua irmã Sara (Salma Hayek) e seu sobrinho Hugo (Rafael Alejandro). À procura de uma vida de luxo, funcionários e carros, este filme expõe os valores que realmente importam: o poder do charme e acima de tudo o amor familiar.

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