Crítica: Como Nossos Pais (2017) | Porque nada é tão contagioso como o exemplo. - NoSet
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Crítica: Como Nossos Pais (2017) | Porque nada é tão contagioso como o exemplo.

Ir ao cinema assistir um longa-metragem nacional tem sido um grande desafio para a maioria dos espectadores. Enquanto várias pessoas vão ver àquelas comédias pastelões sem levantar expectativas – porque afirmam que todo filme feito por aqui é um lixo – outras já se mostram mais racionais, pois reconhecem que nem todo filme produzido por este país tende a cair no esquecimento. Existe projetos que valem a pena ser conferidos, afinal estes não só pertencem a diretores (as) de estilos distintos, como também possuem conteúdos cujos elementos hão de acrescentar algo na vida de cada um de nós. Entre eles está Como Nossos Pais, fita estrelada por Maria Ribeiro, Paulo Vilhena e Clarisse Abujamra, com roteiro assinado por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. Com estreia marcada para esta semana, é uma produção da Gullane e da Buriti Filmes em coprodução com a Globo Filmes, além de ser distribuído pela Imovision. Com uma história pra lá de atrativa, ele se destaca dos demais, uma vez que o roteiro aborda questões como conflitos de família, segredos antigos e as consequências avassaladoras trazidas por eles. Quer saber mais? Então continue comigo e boa leitura a todos!

Na trama, Rosa é uma mulher que quer ser perfeita em todas suas obrigações: como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Quanto mais tenta acertar, mais tem a sensação de estar errando. Filha de intelectuais dos anos 70 e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente, uma super mulher sem falhas nem vontades próprias. Rosa vê-se submergindo em culpa e fracassos, até que em um almoço de domingo, recebe uma notícia bombástica de sua mãe. A partir desse episódio, Rosa inicia uma redescoberta de si mesma.

Sem surpresas, o filme foi um dos grandes vencedores do Festival de Gramado. Ele era considerado favorito após ter sido premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Paris Ao todo, o longa levou ao todo 6 Kikitos: melhor filme, direção, ator (Paulo Vilhena), atriz (Maria Ribeiro), atriz coadjuvante (Clarisse Abujamra) e montagem. Segundo a própria diretora (que por sinal comandou Bicho de Sete Cabeças, Chega de SaudadeAs Melhores Coisas do Mundo), a inspiração que ela teve para realizar a película estava bem próxima a ela, em leituras de revistas, conversas com amigos e outras ações do cotidiano.

A despeito da proposta atraente, creio que se subentendia que a obra seria leve. No entanto, ela contém um conteúdo mais áspero; não é nada tão explícito, pois em tais partes há mais linguagem de cunho sexual falado do que exclusivamente mostrado. Inclusive, a temática do sexo (considerado um tabu por muitos hoje em dia) de certa forma se aplica ao contexto do enredo, uma vez que o mesmo trate das dificuldades e sutilezas dos relacionamentos familiares. Acertos e erros permeiam o cotidiano de qualquer família, isto é inegável. Sendo assim, todas as reviravoltas que vieram à tona haveriam de influenciar o comportamento dos personagens, de mexer com seus anseios e a sua definição de o que é realmente ser feliz.

Com relação às interpretações, temos primeiramente a talentosa Maria Ribeiro – considerado por muitos críticos aqui como a atuação de sua vida, pelo papel da protagonista do longa, Rosa – e o carismático Paulo Vilhena, na pele de Dado; além do plausível desempenho de Clarisse Abujamra. Quanto ao roteiro, o 1º ato é bem envolvente, pois adentra o espectador naquele ambiente de família trivial, que está prestes a passar por uma fase deveras difícil. Já no 2º, o enredo vai ficando meio arrastado, exibindo cenas que podem parecer estranhas ou não fazer nenhum sentido. Só que quando os instantes finais chegam, o que se absorve é a concepção de que hoje qualquer indivíduo se tornou quem é graças à educação fornecida por seus pais, independente de eles terem ou não se fundamentado em métodos que não lhe favorecessem por completo.

Apesar de tudo, convenhamos: dificilmente um filme (seja ele americano, estrangeiro ou nacional) deixará de ter seus momentos desnecessários, concordam? No que condiz com este aqui, há insinuações que remetem justamente ao conceito do rompimento de família sistematizada pela sociedade, onde regras patriarcais são estabelecidas, porém segundo alguns personagens, tais normas não precisam necessariamente ser cumpridas, porque o que mais importa é a felicidade de alcançar um amor livre de amarras, deixando de lado todo o tradicionalismo. Convém reforçar que hoje o entretenimento nacional tem crescido bastante, mas a valorização dele ainda é cheio de controvérsias.

Então por mais que tal admiração seja crucial aos cinéfilos (e todo bom crítico sabe disso) parte do povo insiste em apresentar dificuldade pra discernir isto. Entre diversos temas presentes, como dinâmica do relacionamento humano, fidelidade mútua, laços paternais e amor, por exemplo, creio que ele atingirá o seu público certo, formado especialmente por quem aprecia dramas e/ou comédias dramáticas. Portanto, conclui-se que Como Nossos Pais é um bom filme, com performances plausíveis e que merece a sua atenção. É como diz o ditado: “nada é tão contagioso como o exemplo”, e a cena final deixa isso bem claro, objetivando em seus aspectos que velhos hábitos, quando conservados, provam serem mais benéficos do que propriamente criticáveis. Quão bela reflexão!

Título Original: Como Nossos Pais
Direção: Laís Bodanzky
Duração: 102 minutos
Nota:

Confira o trailer:

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