Crítica 2: Por Trás dos Seus Olhos (2018) | Até onde as janelas da alma são capazes de nos levar? - NoSet
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Crítica 2: Por Trás dos Seus Olhos (2018) | Até onde as janelas da alma são capazes de nos levar?

Fala, galera, tudo bem? Isso mesmo, eu voltei! Sentiram saudades? Pois é, 4 meses ausente é mesmo uma dureza, mas acreditem, quem estuda e trabalha realmente fica com tempo limitado pra muita coisa. Apesar disso, vez ou outra eu consigo dar um jeito de ainda partilhar o meu pequeno conhecimento cinéfilo que resta com vocês. Hoje, especificamente, irei analisar Por Trás dos Seus Olhos, o novo projeto de Marc Forster (sabe, aquele cara que te destruiu com o excelente O Caçador de Pipas e te deixou apreensivo no controverso Guerra Mundial Z), que é estrelado pela belíssima Blake Lively (Gossip Girl), o competente Jason Clarke (Planeta dos Macacos – O Confronto) e acabou de chegar aos cinemas de todo o Brasil (apesar de ter sido exibido no Festival de Toronto em Setembro de 2016; reparou na demora?…rsrs). Sua proposta é basicamente esta: até onde você seria capaz de ir por entes queridos, mesmo que isso signifique se transformar num desconhecido? Curioso? Então continue comigo e saiba o que esperar dessa obsessiva (porém interessante) história de amor!

A trama acompanha Gina, uma mulher que perdeu a visão quando era criança, após um acidente grave. Acostumada à deficiência, ela vive com o marido James (Jason Clarke) na Tailândia, graças a uma promoção que ele recebeu. Gina é completamente dependente do marido, numa situação que agrada a ambos. Um dia, um médico decide testar uma nova cirurgia em Gina, que permitiria resgatar a visão de um dos olhos. Ao aceitar o procedimento, ela finalmente descobre um novo mundo, munida da vontade de viver várias experiências de que foi privada a vida inteira. Logo, a independência de Gina põe o casamento em risco, e a vida dos dois mudará radicalmente para sempre.

Dentro da Sétima Arte, muito já foi e tem sido falado sobre a complexa natureza do Homem. Seja em obras leves ou aquelas mais pesadas, todas têm algo em comum: o lado psicológico do ser humano. No caso de All I See Is You, a proposta oferecida ganha pontos pelo esforço em trazer à tona um tema aparentemente diferente, porém também perde pela mera execução do mesmo, o que resulta numa salada de frutas embaralhada e eventos meio mal executados do 2º pro 3º ato. Não vou negar, Forster é um dos cineastas mais promissores desses últimos tempos, e sinceramente, não me lembro de ter visto sequer um longa seu que tenha decepcionado por completo (Em Busca da Terra do Nunca é prova disso), então quando conferi o trailer, a curiosidade só aumentou. Por se tratar de uma história que à princípio seria deveras enigmática, até achei interessante a forma que as cenas pareciam juntar um possível “suspense” de O Olho do Mal com o drama de Animais Noturnos. Contudo, o ditado que diz que “as aparências enganam” não falha, então sugiro não elevarem tanto suas expectativas, ok?…rs

O filme tem um ritmo um pouco arrastado, mas assim como em O Segredo de Marrowbone (ótimo suspense espanhol que recomendo a todos, por sinal), é uma lentidão que não te incomoda, sabe? Você consegue acompanhar tranquilo a película criar um leve clima de tensão sob a protagonista (mesmo sob os instantes mais silenciosos), sem sentir tédio ou achar ele chato; envolvência essa que salvou a fita de ser um lixo, creio eu. Numa época onde filmes repletos de diálogos parados têm estado em alta e conquistado seu espaço e reconhecimento (A Bruxa e Mãe! são bons exemplos e tanto), devíamos parar pra pensar que os mesmos não merecem ser descartados. Sejamos francos, numa concepção geral, o que conta é a inovação do roteiro, uma história que te conquiste, te “pegue de jeito” (independente do quão confuso pareça, nem todo mundo tem o mesmo nível de cognição pra decifrar segredos obscuros de roteiros), e atuações que se sobressaiam, excluindo a possibilidade de suas performances terem sido julgadas forçadas pelo público.

Acredito que valeu a tentativa de ambos os protagonistas realizarem uma boa interpretação em cena, e formar uma química perceptível ao incorporarem o casal Gina e James, a despeito das partes que pegaram pesado no quesito conteúdo sexual (não me refiro somente à abertura que traz uma sequência de imagens que misturam surrealismo, espelhos d’água e o alcance do clímax, mas aos próprios flashbacks e um breve voyeurismo neon presente em uma cena em particular); foram desnecessários tantos gemidos assim. Fora inclusive as belas paisagens da fotografia e a trilha sonora, o diretor mandou bem ao deixar uma ideia que pode sim acontecer na realidade de alguém como a Gina (pessoas cegas sem dúvidas sofrem mesmo após transplantes de córneas, nunca se sabe), no que se refere ao querer literalmente ver o mundo com outros olhos, aproveitar a vida, fugir, trair, ser livre pra curtir tudo aquilo que lhe foi impedido de fazer, enfim, dar um jeito de superar o trauma sofrido na infância, até que adversidades e efeitos colaterais se manifestem (sim, ninguém sai impune das consequências neste mundo). Todavia, em minha opinião, a obra não foi o seu melhor trabalho. Não é ruim, mas também não foi sensacional.

 

No fim das contas, a pergunta que fica é: o que fazer quando tudo que se tem é a pessoa que te ama, cuidou de você durante anos, e permanece ao lado em tempos difíceis? Será que de fato todos conseguimos perdoar atitudes descontroladas? As respostas para estas perguntas se encontram bem no fundo dessa incógnita que se chama Por Trás dos Seus Olhos. Deleite-se quem puder (e goste de ver esta atriz em papéis dramáticas) e agrade-se quem curte o gênero de drama (thriller não, porque o suspense aqui é quase que inexistente). Se for irrelevante pra ti conferi-lo no cinema, espere alguns meses, pois daqui a pouco ele estará pertinho de você e por um preço mais acessível, vai por mim. Em suma, é um entretenimento aguinha com açúcar, porém bonzinho pra passar o tempo, e felizmente superior ao recente Boneco de Neve – última resenha eu havia feito em Novembro do ano passado. Ressalto: por via das dúvidas, fica a seu próprio critério, meus caros leitores do NoSet. Até a próxima!

Título Original: All I See Is You
Direção: Marc Forster
Duração: 109 minutos
Nota:

Assista o trailer:

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