Crítica 2: Polícia Federal - A Lei é Para Todos (2017) | Um ponto de equilíbrio entre ficção e realidade. - NoSet
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Crítica 2: Polícia Federal – A Lei é Para Todos (2017) | Um ponto de equilíbrio entre ficção e realidade.

Não é nenhuma surpresa que o nível da crise enfrentada pelo Brasil tem crescido cada vez mais. Dia após dia, jornais e a mídia têm nos informado sobre o que acontece tanto na complicada Brasília quanto nas sedes de outros estados, com notícias que muitas das vezes só deixam a maioria da população brasileira indignada, pois já não aguentamos mais tanta roubalheira e corrupção por parte de tais políticos. Eis que em tempos infortunados como os de hoje, nada melhor do que reunir um elenco parcialmente conhecido do público, formular uma bom enredo e realizar um longa-metragem baseado no que ocorre atualmente dentro desse Brasilzão. É esta a proposta que Polícia Federal – A Lei é Para Todos carrega. O longa, dirigido por Marcelo Antunez, entrou hoje em circuito brasileiro, e traz no elenco astros como Flávia Alessandra, Ary Fontoura e Marcelo Serrado. Será que dá pena ou convém conferi-lo pra tirar nossas próprias conclusões? Continue comigo e tenha uma boa leitura!

2013. Durante a realização da Operação Bidone, a Polícia Federal apreende no interior um caminhão carregado de palmito, que trazia escondido 697 kg de cocaína. A investigação recai na equipe montada por Ivan Romano (Antonio Calloni), sedida em Curitiba e composta também por Beatriz (Flávia Alessandra), Júlio (Bruce Gomlevsky) e Ítalo (Rainer Cadete). As conexões do tráfico os levam ao doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli) e, posteriormente, ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), que revela uma imensa estrutura envolvendo construtoras e o governo, de forma a desviar dinheiro público. À medida que a investigação avança, o grupo liderado por Ivan se aproxima cada vez mais de alguns dos políticos mais influentes do país.

Bom, em minha opinião, o filme mandou muito bem! Ainda mais por ter sido filmado em Curitiba (local onde moro), então não podia deixar de conferir em tela grande. Acredito que tivemos belas atuações (bem como medianas), pois a história tem um roteiro bem amarrado, soube inserir uma trilha sonora cujas faixas lembram bastante aqueles filmes de perseguição policial e um desenvolvimento convincente, sem ser maçante ou que em algum momento fique confuso ou repleto de pontas soltas. Posso garantir, houve boas sequências de ação que todo bom thriller tem (vide a cena inicial que inclui um flashback da caça feita por Vinicius – vivido por João Baldasserini – ao Alberto Youssef, interpretado pelo ator Roberto Birindelli), sem contar uma certa dose de drama e comédia (pra quem estiver ligado e acompanhando a política desse país). Inclusive, pra falar a verdade, creio que esse deixou aquele Real – O Plano por Trás da História no chinelo. Não que este outro tenha sido ruim; é bom, mas este aqui dá de 10 a 0 nele; pelo menos, esta é a minha visão da obra, de que ela não deixou a desejar em quase nada. No entanto, tenho certeza que haverá outros argumentos e concepções controversas, e na maior pacificidade (assim espero).

Após os créditos iniciais, uma citação de Ruy Barbosa explicita o que está por vir: “de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Tanto que na sessão em que estive, não havia sequer um lugar vago, e ao longo de sua duração – que gira em torno de 1 hora e 50 minutos – eram várias as pessoas que sacavam na hora as tiradas cômicas, pois as piadas realmente serão perceptíveis, sem exigir que você esteja totalmente antenado sobre o que acontece dentro da política brasileira. Um exemplo disso é quando o ex-presidente Lula, incorporado por Ary Fontoura, rouba a cena. Em contrapartida, segundo meu próprio tio (que é advogado e estava do meu lado), Fontoura não conseguiu captar a mesma essência que Luiz Inácio, que Leonardo Medeiros captou como Marcelo Odebrecht ou Marcelo Serrado como o Juiz Sérgio Moro.

Concordo plenamente com ele e, por sinal, destaco as performances que considerei convincentes desde o início: a da bela Flávia Alessandra, como a determinada Beatriz, que encarna uma personagem segura, e está sempre focada na investigação que conduz. Além de Bruce Gomlevsky que, na pele de Julio Cesar, procura encontrar um equilíbrio entre sua vida pessoal e a profissional, ao mesmo tempo em que exerce seus deveres como cidadão trabalhador e honesto, tentando a todo custo impôr justiça em uma nação que segundo um dos figurantes do elenco, “vive corrupta desde o início de sua história, desde que foi colonizada”. Não é à toa que pra maior parte da população, pasme, isso não passa de um mito.

Logo, independente das críticas negativas, que afirmam que ele é mal feito e tropeça em clichês e exageros (aliás, qual filme não conta com tais aspectos, né?), deixe todas de lado e o veja no cinema a fim de tirar suas próprias conclusões. Tem tanta coisa pior por aí que não presta e, mesmo assim, acaba recebendo notas altíssimas de maneira inacreditável. Aliás, quando não tem exageração reclamam, aí quando os mesmos têm, o povo também metem a boca? Sejamos racionais, ora pois. É aí que, justamente, outra questão entra em campo: a da preferência pessoal. No meu caso, não curto muito filmes policiais brasileiros (sim, admito que nunca assisti nenhum Tropa de Elite, porém curti aquele Operações Especiais, com a Cléo Pires), mas este aqui sem dúvidas entrou pra minha lista de filmes que todo mundo precisa ver, daqueles que vale o ingresso, pois é possível observar o quanto a equipe se esforçou em deixar o espectador a par dos eventos que cercam a realidade a sua volta. Em suma, é um entretenimento de qualidade, felizmente. Indico!

(Obs.: as duas próximas sequências já foram confirmadas, e pelo visto hão de manter o mesmo ritmo, pois retratarão os eventos que estão prestes a se concretizar posteriormente; foi o que mais me deixou curioso. Então o jeito é aguardar!)

Título Original: Polícia Federal – A Lei é Para Todos: Os Bastidores da Operação Lava-Jato
Direção: Marcelo Antunez
Duração: 107 minutos
Nota: 

Veja o trailer:

3 Avaliações

3 Comments

  1. MARCELO FARIA ALVIM Configurações

    7 de setembro de 2017 em 19:33

    Show de comentário, vou ver ainda o filme, mas já tava muito afim de ver e ao ler fiquei mais ainda, agradeço as dicas!

    • Eduardo Ben

      Eduardo Ben Configurações

      9 de setembro de 2017 em 10:24

      Obrigado pelo comentário, amigo! Pode ver sem medo, tem que conferir e tirar suas próprias conclusões, é isso aí…heheh

  2. Pingback: Crítica: vale a pena assistir "Polícia Federal – A Lei é Para Todos"? | Cabine Cultural

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