Cinco Fan Films e curtas-metragens baseados em games e quadrinhos que humilharam os filmes de alto orçamento. - NoSet
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Cinco Fan Films e curtas-metragens baseados em games e quadrinhos que humilharam os filmes de alto orçamento.

Muitos produtores reclamam dos “baixos” orçamentos para usar como justificativa para suas gritantes falhas e fracassos. Bem, não é possível desprezar o orçamento em produções cinematográficas, porém isso não é o problema principal de filmes baseados em quadrinhos, games ou livros cujas adaptações ficaram muito abaixo da expectativa do público, sobretudo os fãs de carteirinha.

Assim, mais como forma de comprovar que é possível realmente fazer uma obra digna, não apenas criticar pura e simplesmente os filmes, vou deixar uma lista com os filmes que deram errado no cinema, mas deram muito certo em fan films e curtas-metragens. Mais do que uma simples lista, este post é uma análise de cada uma das obras comparada às super produções de Hollywood que, honestamente, foram um fiasco junto aos fãs e críticos.

Ao final de cada análise, disponibilizei os curtas e fan films para que possam assistir e tecer suas próprias opiniões sobre eles.

Batman – Dead End (2003).

Batman – Dead End (Beco sem Saída) é um dos mais aclamados curtas sobre o Morcego, produzido e lançado em 2003. Escrito e dirigido por Sandy Collora, o curta conta com o ator Clark Bartram no papel do Batman, Andrew Koenig é o Coringa, além dos atores Kurt Carley, Jake McKinnon, Dragon Dronet, Patrick Magee, Lauran de Winter e Scott Rhodes.

A trama mostra a cidade de Gotham novamente ameaçada pela loucura do Coringa, fato destacado pela matéria da repórter Shannon Cobb no melhor estilo Cavaleiro das Trevas (de Frank Miller).

O que vemos a seguir é um confronto inusitado entre o Batman e o Coringa (este mais alucinado do que jamais vi) e que contará com a “intromissão” de dois monstros do cinema: o Predador e o Alien.

A trama foi produzida sem a autorização da Warner Bros. (detentora dos direitos do Morcegão) e sem a permissão dos responsáveis por Predador e Alien, mas isso não impediu que o curta-metragem se transformasse num sucesso mundial. Infelizmente não tivemos produções que seguissem esse estilo diferente, porém é fato que a produção criou uma expectativa gigantesca sobre novas produções cinematográficas do Batman (pouco depois, em 2005, surge o filme Batman Begins, dirigido por Christopher Nolan).

                                                                            Clark Bartram, Sandy Collora e Andrew Koenig

O curta-metragem foi um tapa na cara dos produtores dos fraquíssimos Batman – Eternamente (1995) e Batman & Robin (1997), responsáveis por desconstruir tudo aquilo que fora construído nos dois filmes de Tim Burton.

Algumas curiosidades envolvem o fato de que Sandy já havia trabalhado na área de maquiagem com o famoso Rick Backer (Hellboy, O Lobisomen, X-Men, Norbit, Tron – o Legado, entre outros) e, obviamente, usou seus conhecimentos adquiridos nesta produção. A trilha sonora é a mesma presente nos filmes Batman (1989, dirigido por Tim Burton) e Predador (1987, dirigido por John McTiernan).

Clark Bartram deu vida ao Batman e se valeu do porte físico para dar credibilidade à personagem, mesmo usando um traje muito parecido com o de Adam West no clássico seriado da década de 60, também muito similar ao que vimos nos quadrinhos (Batman – Ano Um e também seguindo o traço de Neal Adams e Jim Amparo).

Andrew Koenig é um dos mais alucinados Coringa do cinema. Sua atuação mostra traços de A Piada Mortal e revela a proximidade entre o homicida e o Cavaleiro das Trevas. Andrew faleceu em 14 de fevereiro de 2010.

Street Fighter – Legacy (2010)

Certamente a maioria dos leitores do NoSet viu ou já ouviu falar do longa-metragem Street Fighter: a Última Batalha (1994), produção que contou com os astros Jean-Claude Van Damme, Raul Julia e a bela Ming-Na Wen. Ainda que baseado no game da CapCom, o filme não foi fiel à mitologia do jogo e se valeu de recursos tecnológicos (leia-se efeitos visuais) muito ruins, além de interpretações onde a “canastrice” e o “overactor” eram a regra.

Lembro que – na época – os fãs até gostaram da obra, mas o passar dos tempos só comprovou que esse vinho virou vinagre, tal é a falta de qualidade e roteiro do mesmo. Isso, claro, não impede que o mesmo ainda seja valorizado por sua tentativa em adaptar um jogo para o cinema.

Mas o tempo passa e as esperanças de uma adaptação para o cinema de Street Fighter aumentam quando somos apresentados ao curta-metragem Street Fighter – Legacy, no já distante ano de 2010.

O mérito da obra não está somente nos bons efeitos visuais (principalmente se levarmos em conta o baixo orçamento); está também em sua fidelidade ao game e ao longa-metragem de animação Street Fighter II: O Filme (1994)*, outra obra impecável que só fez com que os fãs odiassem ainda mais o live action lançado no mesmo ano. 

* Em breve farei uma análise completa desse clássico.

Resumidamente, Street Fighter – Legacy mostra um breve encontro entre Ryu e Ken e, como todo fã do game sabe, não há encontro entre esses dois sem que haja uma luta. As cenas são bem coreografadas, os atores estão muito bem caracterizados, há uma citação ao vilão Akuma e, principalmente, os efeitos visuais estão condizentes com a franquia de jogos e, claro, o orçamento disponível.

Super Mario: Underworld (2016)

Os fãs dos games old school certamente curtem as aventuras de Mario e seu irmão Luigi, os populares personagens da série de jogos Super Mario Bros. Esses mesmos fãs – tenho certeza absoluta – não curtiram o longa-metragem feito pela Lightmotive. O elenco de Super Mario Bros (1993) contou com Bob Hoskins como Mario, John Leguizamo como Luigi, Dennis Hopper como Rei Bowser, e Samantha Mathis como Princesa Peach.

A trama basicamente conta a história dos irmãos encanadores Mario e Luigi que vivem no Brooklyn. O lugar é uma espécie de zona de conexão com outra realidade onde os dinossauros ainda existem e são racionais. Claro que o Bowser resolve sequestrar a princesa Peach e, mais claro ainda, os irmãos partem para salvá-la.

Honestamente, um típico filme baseado em games que manteve o padrão, ou seja, não deu certo. Essa falha brutal se deu em função dos toscos efeitos, o fraco roteiro e a quase total desconexão entre o filme e o jogo.

E eis que novamente somos salvos pelos criadores independentes que no ano de 2016 nos entregam uma obra-prima relacionada ao universo do jogo Super Mario Bros e suas sequências e derivados: Super Mario – Underworld, criado pela Nukazooka (o link leva até o canal deles, recomendo!).

O fan film é uma grata surpresa por mostrar uma faceta desconhecida – e jamais retratada com tanto “realismo” – do universo do Mario e seus amigos. A trama começa quando o próprio Mario “morre” ao cair em um vão das famigeradas plataformas flutuantes. Quando chega ao fundo de um desses vãos, ele desperta ao lado de várias versões dele já em decomposição. A partir daí, o espectador se depara com um verdadeiro espetáculo visual que não deixa nenhum fã do jogo decepcionado.

Várias personagens estão presentes como Koopa Troopa, Boos, Luigi (numa versão muito sinistra), Goomba Monstruoso, Lakitu, Carro Nuvem, Banzai Bill, Cogumelo Podre (direto de Super Mario Maker 2), além do próprio Mario.

A aventura, em suma, é bem emocionante e cheia de referências ao game muito bem colocadas na produção.

Mortal Kombat – Rebirth (2010)

Esse curta surgiu para a alegria dos fãs do game mais sangrento da história. Mortal Kombat – Rebirth traz uma versão mais “pé no chão” das personagens do jogo, colocando-as em uma realidade onde serial killers, policiais, criminosos e lunáticos possuem quase a mesma índole, pois tudo é válido para eliminar o inimigo.

O curta foi produzido e lançado no ano de 2010 e contou com nomes como Michael Jay White (Jackson Briggs), Ian Anthony Dale (Scorpion), Jeri Ryan (Sonya Blade), Lateef Crowder (Baraka), James Lew (Shang Tsung) e Matt Mullins (Johnny Cage).

Mesmo com o desvio visível da mitologia original, Rebirth captou a essência das personagens e mostrou que é possível fazer um bom filme baseado em um jogo, mesmo com mudanças na trama básica.

A direção ficou sob a responsabilidade de Kevin Tancharoen, cujos trabalhos podem ser vistos em Legends of Tomorrow, Prison Break, Flash e outras produções, incluindo a série Mortal Kombat – Legacy (2011-2013).

Esse rápido curta serviu para comprovar que é possível fazer um material decente com os combatentes do Mortal Kombat e, ainda por cima, adequá-los a uma realidade mais plausível. Ao vermos um Baraka que se automutilou, um Reptile cuja condição é uma doença congênita e personagens como Jaxx e Sonya capazes de ordenar a morte de todos no torneio em prol da extinção de um mal maior, certamente um longa com uma trama próxima a isso seria sensacional.

Claro que já tivemos uma empreitada anterior no cinema, porém o resultado foi apenas um pouco melhor que Street Fighter, mas infelizmente bem abaixo das expectativas dos fãs do game. Esse longa foi lançado no ano de 1995 e buscou seguir da melhor forma possível a trama original. De qualquer forma, mesmo com cenas visivelmente coreografadas e animatronics perceptíveis, o longa agradou ao público e marcou pelos combates que só havíamos visto antes nos games.

No elenco desse filme estavam Christopher Lambert (Rayden), Robin Shou (Liu Kang), Cary-Hiroyuki Tagawa (Shang Tsung), Linden Ashby (Johnny Cage), Bridgette Wilson-Sampras (Sonya Blade), Talisa Soto (Kitana), Trevor Goddard (Kano), Chris Casamassa (Scorpion) e François Petit (Sub-Zero).

Justiça seja feita, esse filme só entrou na lista em função dos parcos efeitos visuais e das coreografias por vezes mecânicas demais, mas Mortal Kombat ainda é um clássico entre os fãs do game e serviu para mostrar que o jogo era perfeitamente adaptável ao cinema. A trilha sonora é marcante.

O ator Cary-Hiroyuki Tagawa foi homenageado recentemente ao ter sua face transposta para a personagem Shang Tsung no novíssimo game Mortal Kombat 11.

O diretor Paul W. S. Anderson também esteve à frente de outra adaptação dos games: Resident Evil – O Hóspede Maldito.

Darth Maul: Apprentice (2016)

Verdade seja dita: a série de filmes Star Wars é um vai-e-vem de qualidade. Alguns filmes são considerados muito bons, outros medianos e, infelizmente, a maioria não agradou aos fãs mais conservadores. Apesar disso tudo, algumas personagens ganharam destaque nas obra e, entre eles, um dos mais comentados é o assassino Darth Maul.

A primeira aparição de Maul aconteceu em Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma (1999) onde foi interpretado pelo artista marcial Ray Parker. Outras aparições do vilão ocorreram na série Star Wars – A Guerra dos Clones e Star Wars: Rebels. Também há uma breve participação do Sith no final de Han Solo: Uma Aventura Star Wars.

Comprovadamente uma ameaça a todos os Jedi, Maul atraiu a atenção dos fãs e se tornou um vilão tão cultuado quanto o próprio Darth Vader. Mas faltava uma aparição maior que fizesse jus ao potencial da personagem, pois é fato que foi pouco explorado na série cinematográfica. Com isso, o que eu quero deixar claro é que as cenas com Maul são sempre muito bem elaboradas (afinal, o orçamento e a tecnologia ajudam), mas pouco foi mostrado sobre ele. Alguns dirão que as séries complementam essa lacuna, porém é válido lembrar que nem todo cinéfilo curte animação ou séries, o que implicaria em termos mais do vilão no cinema.

Pensando nisso, a produtora alemã de curtas-metragens T7 Productions lançou uma pérola feita com o máximo de qualidade e esmero: Darth Maul – Apprentice. A trama é simples e – ao mesmo tempo – cativante, já que nos apresenta mais do treinamento do Sith, sua subordinação a Palpatine e uma sequência de lutas com sabre de luz com altíssimo padrão.

A direção e o roteiro são de Shawn Bu. Apesar do elenco desconhecido, o fan film tem tudo aquilo que o fã mais ardoroso de Star Wars poderia querer em uma obra sobre o universo que ele tanto ama.

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